sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lei do tabaco provocou redução de 5% de fumadores

A aplicação da lei do tabaco provocou uma redução de cinco por cento do número de fumadores, mas um em cada quatro portugueses ainda morre prematuramente, em parte devido ao tabaco.

Quatro anos após a entrada em vigor da legislação que veio proibir o fumo na maioria dos espaços públicos fechados, as notícias, para a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, são animadoras: há menos fumadores em Portugal.
"O facto de não se poder fumar em qualquer lado levou a uma redução de cinco por cento dos fumadores", lembrou o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Carlos Robalo Cordeiro, referindo-se a um estudo nacional que indica que a lei do tabaco levou a que 5,1 por cento(%) dos fumadores deixassem de fumar e 22,3% diminuísse o consumo.
O estudo sobre o impacto da legislação coordenado pela Direção Geral de Saúde - o Infotabaco - detetou ainda uma "diminuição muito significativa do tabagismo passivo, que diminuiu 20 por cento".
A mudança de hábitos já começa a refletir-se timidamente na saúde dos portugueses: "em 2009 diminuiu o número de internamentos por doenças cardiovasculares e os episódios de internamento por Doença Pulmonar Obstrutiva mostram uma tendência de diminuição", lembrou o presidente da SPP.
De acordo com o Infotabaco, os episódios de internamento por doença isquémica cardíaca "diminuíram pela primeira vez em 16 anos".
Apesar das notícias, o diretor-geral de Saúde, Francisco George, considerou que ainda há muito por fazer: "Temos de ser todos mais exigentes com a prevenção e controlo do tabagismo", disse o responsável, defendendo que "não faz sentido que aqueles que não fumam fumem os cigarros dos outros em espaços fechados".
Entre 2005 e 2010, Portugal passou a ser o país europeu com maior diminuição de prevalência de fumadores passivos no local de trabalho (cerca de 20%), estando agora na 6.ª posição na Europa a 27.
No entanto, o último estudo nacional alerta precisamente para o facto de os espaços criados especificamente para os fumadores (como por exemplo em centros comerciais ou locais de trabalho) serem "locais inóspitos, com extração deficiente que faz com que se contamine o ar circundante".
Nestes quatro anos os inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) registaram 830 casos em que os espaços para fumadores não cumpriam os requisitos necessários.
Francisco George lembrou que o tabagismo ainda é a principal causa de morte prematura em Portugal, que atinge os 24,3 por cento da população: "Um em cada quatro portugueses não atinge os 70 anos de idade, em grande parte devido ao tabagismo".
No período de vigência da lei do tabaco, apenas 38,3% dos fumadores admitiu ter alterado os seus hábitos tabágicos, mas depois 64% dos inquiridos disse ter deixado de fumar quando está ao pé de filhos, crianças ou mulheres grávidas. Mais de um quarto dos fumadores (27,2%) deixou de fumar dentro de casa e um quinto (19,9%) não voltou a acender um cigarro no carro, refere o Infotabaco.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2213664&page=-1

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Relatório da droga Só 25 processos por álcool abaixo dos 16 anos

Governo quer subir para os 18 anos a idade legal para o consumo e venda de álcool, mas o reduzido número de contra-ordenações registado em 2010 prova a ineficácia da fiscalização.
No ano passado apenas foram instaurados 25 processos de contra-ordenação por venda e consumo de álcool a menores de 16 anos em locais públicos, informou ontem o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, sublinhando que aquele dado é a prova da ineficácia da fiscalização e de que pouco serve subir a idade legal para 18 anos, se não houver mudanças na área.

Além da divulgação dos dados sobre a situação do país em matéria de drogas e toxicodependências, constante no relatório anual do IDT de 2010 que ontem foi apresentado, Goulão levou ao Parlamento dados sobre o consumo de álcool no país. Em Portugal é proibido por lei vender e ingerir álcool abaixo dos 16 anos, mas, no ano passado, apenas foram abertos dez processos de contra-ordenação por consumo de álcool e outros 15 por venda de bebidas a miúdos abaixo daquela idade. De acordo com o último Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco e Drogas, realizado este ano com base num inquérito feito a 13 mil alunos, aos 16 anos 9% dos rapazes e 5,5% das raparigas dizem ter-se embriagado, no último ano, entre seis a 19 vezes.

O Governo anunciou recentemente que vai subir a idade legal para 18 anos. O presidente do IDT disse que os dados são a prova de que "não há fiscalização aos 16 anos, não haverá aos 18 anos, não vale a pena alterar a lei", a não ser que seja acompanhada "pelo aumento da capacidade de intervenção efectiva da fiscalização".

O presidente do IDT notou também que das 31.235 ocorrências de violência domésticas registadas em Portugal no ano passado, 43% estão relacionadas com problemas ligados ao álcool.

Quanto ao panorama das drogas, o responsável traçou ontem aos deputados da Comissão parlamentar de Saúde um retrato positivo da evolução do fenómeno. À cabeça destacou a continuação do decréscimo das infecções por VIH entre os toxicodependentes. Nas notificações de casos de VIH diagnosticados em 2010, os casos associados à toxicodependência representavam 15%, um valor que sobe para 41%, se se tiver em conta o total acumulado de notificações. Os novos casos diagnosticados com VIH associados à toxicodependência foram 149 casos em 2010, 387 em 2008, 521 em 2006 e 662 em 2004.

Mas a apresentação ficou sobretudo marcada pelo já anunciado fim do IDT e o futuro incerto do sector. Este organismo vai desaparecer para dar origem ao Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências, passando a área do tratamento para a alçada das administrações regionais de Saúde.

Os partidos de esquerda alertaram para os riscos da mudança. Face aos "ganhos em saúde" na área, a deputada socialista Elza Pais criticou "o desmantelamento do IDT", em vez da consolidação "de um modelo de sucesso". A deputada comunista Paula Santos disse temer "que o desinvestimento possa colocar em causa a capacidade de intervenção". João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, afirmou que "a mudança é uma verdadeira aventura numa altura em que tudo desaconselhava à mudança", vendo nestas alterações uma forma de "mudar a política da droga, não [vendo] outra justificação".

Embora não se tenha pronunciado sobre Portugal, o director do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, Wolfgang Götz, que esteve na apresentação, avisou que não deve ser "subestimado o impacto dos cortes na área", referindo que em termos europeus a crise já afectou intervenções na investigação, prevenção e reintegração social.

22.12.2011 - 21:01 Por Catarina Gomes

http://www.publico.pt/Sociedade/so-25-processos-por-alcool-abaixo-dos-16-anos-1526197

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Segurança rodoviária defende diminuição da taxa de alcoolemia para jovens

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária defende a redução da taxa de alcoolemia para 0,2 gramas por litro de álcool de sangue (g/l) para os jovens, porque 34% dos mortos na estrada apresentam taxas superiores a 0,5 gramas.
Em declarações à agência Lusa o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Paulo Marques, disse a propósito da revisão do Código da Estrada que "a redução da taxa de álcool na faixa etária dos 18 aos 24 é uma medida positiva".
Existe um "conjunto de dados e de estudos que apontam para as vantagens em reduzir a taxa de álcool para valores mais baixos", referiu o presidente da ANSR, citando que "34% dos condutores mortos na estrada, apresentam nas autopsias valores, de álcool no sangue superiores a 0,5 g/l".

Vários estudos apontam que "os mais jovens, entre os 18 e os 24 anos, com uma taxa de álcool no sangue de 0,2 gramas por litro será equivalente a uma taxa de álcool de 0,5 nos adultos", acrescentou.
Apesar de existir uma recomendação da União Europeia de 2001 que avançava com os valores de 0,2 g/l para os jovens, a medida também já estava inscrita na Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, referiu Paulo Marques.
A revisão do Código da Estrada está a ser estudada pela tutela e este é um assunto que está em cima da mesa, concluiu o presidente da ANSR.
O Diário de Notícias refere, esta quarta-feira, que no âmbito da revisão do Código da Estrada a Prevenção Rodoviária Portuguesa quer restringir ainda mais a utilização dos telemóveis, que ainda é possível através de "kit" mãos livres, sobretudo aos jovens.
  

sábado, 10 de dezembro de 2011

Missão Sorriso 2011 - Projecto Associação Existências


A Associação Existências candidatou-se à Missão Sorriso, com o PROJECTO CRESCER, que pretende apoiar idosos em situação isolamento social.
Só tem de ir ao endereço www.http://missaosorriso.continente.pt/ e votar no nosso projecto (pág. 4).

Contamos consigo!!
Obrigada

terça-feira, 29 de novembro de 2011

THEATRIX COIMBRA ;) dia 2 de Dezembro a Associação Existências conta com a presença de todos para a apresentação do projecto AFFECTUS & ALTER-EGO e para A COMEMORAÇÃO DO DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A SIDA ;)
Procura a tua pulseira Solidária junto dos técnicos da Associação e dos promotores do Theatrix e ajuda a Associação Existências a dar seguimento a todos os estes projectos...

É por uma boa causa :)
Contamos contigo ;)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O secretário de Estado adjunto e da Saúde anunciou, esta segunda-feira, que o aumento da idade legal para os 18 anos no consumo e aquisição de bebidas alcoólicas, previsto para 2012, será acompanhado de outras medidas para desincentivar os jovens de beber.

 
foto Jose Mota/global imagens
Idade legal para consumo de álcool vai aumentar para os 18 anos

 

"Não se trata apenas de aumentar a idade legal para consumo e aquisição de álcool, mas também ter medidas importantes a nível da forma como a publicidade é feita, os alvos a que é dirigida, em que momentos ocorrem e algumas regras sobre os locais de venda", avançou Fernando Leal da Costa.




O secretário de Estado adjunto e da Saúde explicou que na base desta medida, que entra em vigor em 2012, esteve "uma preocupação de saúde pública", mas também acompanhar o que se passa a nível de outros países europeus em que só é permitido a venda e o consumo a partir dos 18 anos.
"Neste momento não se justifica que Portugal não siga aquilo que é comum num número significativo de países europeus e não só no sentido de tornar o álcool apenas disponível para maiores de 18 anos", sustentou.
Por outro lado, adiantou, o facto de, neste momento, ser disponível a compra de álcool a menores de 16 "tem levado a que haja claramente abusos e, além do mais, também é sabido que o álcool é particularmente mais tóxico nas crianças e nos adolescentes do que nos adultos".

"A nossa preocupação é iminentemente uma preocupação de saúde pública", sublinhou Leal da Costa, adiantando que a carga da doença associada ao álcool é "muito pesada", representando um custo superior a 200 milhões de euros por ano.
O secretário de Estado da Saúde alertou que o facto de os adolescentes começarem a beber cada vez mais cedo condiciona um aparecimento cada vez mais precoce de problemas físicos ligados ao álcool, com maior gravidade e maior frequência de ocorrência desses problemas.

Na passada semana, o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) revelou um estudo sobre o consumo de álcool, tabaco e drogas em meio escolar, segundo o qual os jovens portugueses começam a experimentar cada vez mais cedo o consumo de álcool, bebem em maiores quantidades e embriagam-se mais vezes.
"Temos de criar um conjunto de circunstâncias associado a um maior investimento nas áreas da educação e promoção da saúde, envolvendo os pais, as famílias e os jovens, no sentido de fazer passar a mensagem de que o consumo desregrado de álcool é perigoso, tem efeitos a longo prazo e é tanto mais perigoso quanto mais jovens são as pessoas que o ingerem, não só do ponto de vista de danos cerebrais, neurológicos, como de outros órgãos que vão ficando irreversivelmente danificados", sublinhou.
Sobre as críticas de falta de inspecção da lei, o governante afirmou que o problema da fiscalização, em termos da sua dificuldade, relaciona-se "com a forma e a frequência que as pessoas põem nessa própria fiscalização".
"A partir do momento que nós considerarmos que é uma área prioritária, a fiscalização far-se-á da melhor forma", adiantou. Contudo, salientou, "o que é importante é que as pessoas que de forma criminosa vendem álcool, que infelizmente ainda é demasiado barato em Portugal, a jovens tem que perceber que o que estão a fazer é altamente lesivo para os interesses do país".

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2138728&page=-1

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Jovens portugueses experimentam o álcool cada vez mais cedo

Os jovens portugueses começam a experimentar cada vez mais cedo o consumo de álcool, bebem em maiores quantidades e embriagam-se mais vezes, revela um estudo do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) divulgado esta quarta-feira. 

O estudo sobre o consumo de álcool, tabaco e drogas em meio escolar, que decorreu em Maio e envolveu 13.000 alunos com idades entre os 13 e os 18 anos, revela que 37,3% dos alunos com 13 anos já experimentou beber álcool, número que sobe para 90,8% no jovens com 18 anos.
Oito por cento dos alunos com 13 anos revela que já apanhou uma "bebedeira", uma situação vivida por mais de metade (53,9%) dos jovens com 18 anos.
Relativamente à prevalência do consumo de bebidas alcoólicas ao longo da vida, o estudo revela que tem vindo a diminuir entre 2003 e 2011, sendo o decréscimo mais acentuado nas raparigas de 13 anos.

Fazendo um retrato do consumo de álcool entre os jovens, Joana Feijão, uma das autoras do estudo, referiu que "há uma maior quantidade de substâncias consumidas, principalmente as bebidas destiladas, e uma mudança dos [alunos] mais velhos para consumirem menos cervejas e mais [bebidas] destiladas".
"A maior quantidade de substância consumida traduz-se depois numa maior percentagem de alunos que refere não só ter-se embriagado, como tê-lo feito mais vezes", adiantou, referindo que quase um quarto dos alunos com 18 anos disse ter-se embriagado no últimos mês.
A investigadora alertou para as consequências destes consumos para a saúde dos jovens, "uma situação que deve merecer a atenção das autoridades de saúde, da Educação", mas também dos pais.
"Os pais não podem demitir-se. Se eu tenho um filho adolescente que sai à noite eu tenho de saber com quem vai, o que faz e o que é capaz de fazer. Não posso atribuir ao Estado toda a responsabilidade", defendeu.
Manuel Cardoso, do IDT, acrescentou, por seu turno, que "a intervenção tem de ser feita no sentido de tentar diminuir, atrasar o início dos consumos, a quantidade consumida porque os mais jovens não estão preparados biologicamente para poder consumir".
Alertou para as "consequências gravíssimas" destes consumos para a saúde, lembrando que estão a aparecer cada vez mais cedo dependências alcoólicas, cirroses hepáticas, além de outros problemas, como a violência associada ao álcool.
Apesar de ter diminuído o número de consumidores de álcool e de tabaco, "os que consomem, consomem com mais frequência", observou Joana Feijão.

Segundo o estudo, um terço dos jovens com 18 anos fuma, percentagem que desce para 5,3% nos alunos com 13 anos. Mas a percentagem de consumidores tem vindo a diminuir nas camadas mais jovens e estabilizou nos mais velhos.
Relativamente ao consumo de drogas, Joana Feijão adiantou que houve um aumento do número de jovens que experimentam, mas o número de consumidores habituais diminuiu.
No caso da cannabis, 27,1% dos alunos com 13 anos disse já ter experimentado este ano, refere o estudo, assinalando ainda o aumento de consumo de anfetaminas associado à cultura de diversão e o decréscimo do consumo de cocaína, com excepção no grupo dos 16 anos.
"Os resultados do consumo de droga até são bastante satisfatórios", sublinhou a investigadora, alertando que o consumo também é uma "questão de moda e de mercado", que manipula os consumidores.
"Não podemos olhar para o consumo de substâncias psicoactivas independentemente das leis do mercado. Há mercado e isto é um negócio" que rende muito dinheiro, acrescentou. 

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2127512&page=-1

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Drogas lícitas" disparam no mercado com 660 lojas online a vendê-las

O crescente mercado das chamadas drogas lícitas, substâncias psicoactivas alternativas às ilícitas, mas com efeitos similares, está a preocupar as autoridades europeias e só este ano foram identificadas 600 lojas "online" que vendem este tipo de produtos.

A revelação é feita no relatório deste ano do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT), que num estudo feito em Julho passado identificou um "número recorde" de 600 retalhistas 'online' de drogas lícitas ("legal highs") que alegadamente vendem substâncias psicoativas e manifestam disponibilidade de uma vasta variedade de novos produtos.
O rápido aparecimento de novas substâncias psicoactivas não controladas, frequentemente vendidas como drogas legais em 'smartshops' e 'headshops' (como é o caso em Portugal) ou através da internet, representa, segundo o OEDT, "um desafio crescente, tanto na Europa como a nível internacional".
Após o recorde de 41 novas drogas notificadas ao OEDT e à EUROPOL em 2010 (comparativamente a 24 em 2009), dados preliminares revelados esta terça-feira indicam que "não existem sinais de declínio", já que só este ano foram notificadas 39 novas substâncias através do Sistema de Alerta Rápido Europeu, onde são actualmente vigiadas mais de 150 destes produtos.
O mercado das novas drogas é caraterizado pela rapidez com que os fornecedores reagem à imposição de medidas de controlo e disponibilizam novas substâncias alternativas aos produtos proibidos.
As novas drogas psicoactivas identificadas em 2010 são, na sua maioria, catinonas sintéticas (estimulante encontrado nas anfetaminas) ou canabinóides sintéticos (compostos encontrados na cannabis).
As listas recentemente notificadas também contêm um grupo diversificado de substâncias químicas, incluindo um derivado sintético da cocaína, um precursor natural e várias substâncias psicoactivas sintéticas.
Em 2010 foram, pela primeira vez, notificados derivados da fenciclidina (PCP) e da cetamina, duas drogas já existentes e utilizadas, actualmente ou no passado, em medicina humana ou veterinária.
As substâncias psicoactivas não controladas (como misturas de catinonas, piperazinas ou fenetilaminas) podem ser vendidas no mercado ilícito em comprimidos semelhantes ao ecstasy, enquanto a droga controlada PMMA (um estimulante) foi recentemente identificada nalguns produtos vendidos como "drogas lícitas".
A mefredona (conhecida como "miau-miau" e com efeitos idênticos aos do ecstasy) é, de acordo com o OEDT, transversal aos dois mercados, sendo simultaneamente vendida "online" como "legal high" e nalguns países através das mesmas redes ilícitas que comercializam drogas como o ecstasy ou a cocaína.
Face a esta rápida disseminação, a Comissão Europeia está a rever o modo como a Europa actua e controla as novas substâncias, "para assegurar que as respostas se mantêm actualizadas e adequadas ao seu objectivo".

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2124200&page=-1

Consumos de cannabis e de cocaína estão a diminuir na União Europeia


O consumo das duas drogas mais usadas na União Europeia, a cannabis e a cocaína, está a estabilizar ou a diminuir. O relatório anual do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT) hoje apresentado em Lisboa refere que há uma estabilização ou decréscimo do consumo da cannabis entre os jovens adultos com idades entre os 15 e os 34 anos. 

A diminuição poderá estar associada a alterações do estilo de vida e a novas atitudes face à droga. A droga ilícita mais consumida na UE já foi experimentada, pelo menos uma vez na vida, por 78 milhões de europeus, um em cada cinco adultos na faixa etária dos 15 aos 64 anos. cocaína, embora seja a segunda droga mais consumida na União Europeia, sempre esteve restrita a um número limitado de países. Os peritos suspeitam que a substância esteja a entrar num período de perda de alguma popularidade, tendência detectada na Dinamarca, Espanha, Itália ou Reino Unido, uma vez que o seu consumo tem vindo a decair entre jovens adultos.

A diminuição do poder de compra, na sequência das políticas de austeridade aplicadas em alguns países europeus, pode fazer do seu uso uma “opção menos atractiva”, tanto mais quanto o preço médio por grama, na maioria dos países da União Europeia (UE), oscila entre os 50 e os 80 euros. Os problemas de saúde relacionados com o seu uso são hoje mais conhecidos. O facto de 17 por cento dos consumidores que iniciaram tratamento especializado a identificarem como a sua droga principal e as cerca de mil mortes que causa anualmente também ajudam a desmistificar a sua inocuidade.

O número de apreensões deste estupefaciente continua a aumentar, mas já não nas proporções dos anos anteriores. Com efeito, a quantidade apreendida tem descido, o que poderá estar relacionado com o declínio das rotas de tráfico que antes percorriam os países da África Ocidental.

No caso dos opiáceos, os consumidores problemáticos em tratamento estão a envelhecer, os que se injectam são em menor número, e a heroína, em alguns países europeus está a ser substituída por novos opiáceos. Se, por um lado, se pode falar em estabilização do seu consumo, por outro, continua a ser a principal responsável pela maior parte das doenças relacionada com a droga.

O relatório desta agência europeia sediada em Lisboa evidencia, à semelhança de anos anteriores, a sua preocupação com o mercado das substâncias sintéticas, em particular com a produção de opiáceos e de ecstasy.

No relatório é referida, também, a preocupação com o facto de a crise europeia poder diminuir a resposta dos países nos serviços de tratamento da toxicodependência, a par do surgimento de novos surtos de infecção. O que acontece na Grécia serve de exemplo: Atenas deu conta de um grande surto de infecções por VIH, no ano em curso, entre consumidores de droga por via endovenosa. Também o número de casos detectados tem vindo a crescer na Bulgária, Estónia ou Lituânia.

O relatório refere que, em 2009, o índice de novos casos de infecção pelo VIH – por milhão de habitantes – manteve-se relativamente elevado na Estónia (63,3), Litania (34,9), Letónia (32,7, Portugal (13,4) e Bulgária (9,7).

Recorde-se que, no relatório do OEDT de 2008, Portugal surgia como o país da UE com o número mais elevado de novos casos de sida, embora a tendência decrescente fosse visível desde 2005. As estimativas do OEDT apontam para um número entre 10 e 20 mil mortes anuais entre consumidores problemáticos de opiáceos na Europa.

sábado, 29 de outubro de 2011

Coimbra: Câmara responde com pedagogia e fiscalização às queixas de ruído noturno




A Câmara de Coimbra vai reforçar a fiscalização dos horários de funcionamento dos bares, e adotar medidas pedagógicas na tentativa de ultrapassar as queixas de barulho noturno acentuadas nos últimos meses.

“A preservação do equilíbrio é fundamental. Não pode ser uma cidade que fecha às dez horas, nem que até às seis da manhã ninguém dorme”, afirmou o presidente da autarquia.

João Paulo Barbosa de Melo, que falava aos jornalistas no termo de uma reunião do Conselho Municipal de Segurança, defendeu que Coimbra tem de manter “a característica dupla, de cidade de gente jovem, com vida noturna, e de gente que trabalha todos os dias”.

Na sua perspetiva, é preciso “mais intervenção, que as forças apareçam, e que de forma pedagógica resolvam os problemas”.

O presidente da Câmara disse que está a ser equacionado o alargamento do horário de funcionamento da Polícia Municipal para além das 02H00, o que permitirá que os agentes se ocupem de medições de ruído e da sensibilização para quem na via pública faz barulho.

Essa presença reforçada da Polícia Municipal na rua até mais tarde será particularmente às terças e quintas-feiras, dias de maior animação noturna estudantil.

Segundo João Paulo Barbosa de Melo, na reunião, dedicada aos temas do “Ruído Noturno e Segurança”, o representante da PSP queixou-se de a lei não contemplar a intervenção no caso de cidadãos, individualmente ou em grupo, fazerem elevado barulho na rua sem porem em causa a segurança.

O autarca referiu que competirá aos agentes de fiscalização municipal e aos polícias municipais verificar se os bares cumprem os horários de fecho, e se mesmo assim perturbam o descanso dos cidadãos.

“Os horários são para cumprir, e se esses horários forem excessivos é possível reduzi-los”, acentuou.

Sobre a segurança, o presidente da Câmara, disse que a cidade continua a ser segura, mas que é preciso estar atento a alguns sinais “que podem abrir a porta a uma noite menos segura”.

O Conselho Municipal de Segurança, que envolve representantes de vários setores da comunidade, deverá reunir-se novamente no início de 2012, para abordar o tema da segurança dentro e à volta das escolas.

FF.

Lusa/fim

http://www.cnoticias.net/?p=50614

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Consumo de álcool pelos idosos está a aumentar em Portugal

O consumo de álcool pelos idosos está a aumentar em Portugal, uma realidade “escondida” ligada muitas vezes ao isolamento e que exige respostas integradas da sociedade, alertam especialistas.

Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria, os idosos consomem muitos psicotrópicos, principalmente as mulheres, e recorrem também ao álcool, muitas vezes para fugir de situações que os atormentam.

“Há muito abuso de psicotrópicos, sobretudo de benzodiazepinas, na população, mas principalmente em idosos que fazem esta medicação há anos e particularmente as mulheres”, disse à agência Lusa Horácio Firmino, dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Horácio Firmino considerou que esta situação configura uma nova tendência e, juntamente com o álcool, está desvalorizada.

“Tem-se uma ideia erradamente que o consumo de substâncias deste tipo é essencialmente nos jovens”, mas com a evolução e o envelhecimento da população vai encontrar-se, dentro de uma patologia cultural, o consumo de substâncias como cannabis, cocaína e heroína pelos idosos, observou

Esta situação, alertou, “levanta problemas” em termos de organização e desenvolvimento de serviços.

Já no que se refere à saúde mental, deve apostar-se na acção psicoterapêutica, com a “redução substancial” da prescrição de medicamentos que tem efeitos secundários, defendeu.

“Numa sociedade em que a percentagem de idosos começa a ser significativa (cerca de 17%) não existem ainda repostas integradas em termos de cuidados de saúde para os mais velhos”, realçou Horácio Firmino.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria refere, por seu turno, que este problema “muito frequente” e “crescente” está muito associado ao isolamento: “Cerca de 20% das pessoas vivem só e é neste grupo que o alcoolismo está a ter um efeito muito pesado e negativo”.

“A depressão dá desespero e as pessoas como compensação são levadas a beber de uma forma intoxicante. É um problema nos idosos, um problema oculto, que afecta principalmente as mulheres”, lamentou Manuel Carrageta.

Para atenuar este problema, Manuel Carrageta defende que devem ser criados programas para evitar que as pessoas vivam sós, como a criação de centros de terceira idade em todos os bairros, com psicólogos que prestem atenção “às pessoas deprimidas e isoladas”.

Alertou ainda para o “impacto terrível” destes vícios: ”A pessoa torna-se negligente, a saúde mental é afectada, aumentam os acidentes em casa e surgem problemas cardiovasculares, de doenças hepáticas e neurológicas”.

Ressalvando que não conhece dados estatísticos sobre esta realidade, o geriatra Gorjão Clara está convicto de que o “agravamento das condições económicas e as dificuldades de acesso à saúde podem contribuir para um aumento do consumo do álcool pelos idosos”.

Em relação ao consumo de drogas pelos idosos, o geriatra tem dúvidas: “São demasiado pobres para poder comprar drogas e também não têm essa cultura, mas o álcool é de acesso mais fácil e é mais barato”.

Esta realidade atravessa outros países. Um estudo do Royal College of Psychiatrists destaca uma série de problemas em torno do uso de álcool e outras drogas por pessoas mais velhas no Reino Unido.

O estudo, divulgado pelo British Medical Journal, revela que está a aumentar o número de idosos que bebe álcool em excesso e estima que a prescrição inadequada de benzodiazepinas e outras drogas psicotrópicas atinja um quarto das pessoas com mais 65 anos.

O álcool e as drogas ilícitas estão entre os dez factores de risco para a mortalidade e morbilidade na Europa e o abuso de substâncias pelos idosos é um problema crescente de saúde pública, refere o estudo inglês.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estranónio

Datura stramoniun (estramónio, figueira-do-inferno, erva-do-demónio, erva-das-bruxas, erva-dos-mágicos, figueira-brava, castanheiro-do-diabo, pomo-espinhoso)

É uma planta nativa da América do Norte, utilizada, assim como outras variedades de plantas do género das Daturas, dos povos euro-asiáticos e ameríndios.

É uma erva que pode atingir 30 e 150 cm de altura. As folhas são grandes, 7 a 20 cm, com dentes irregulares semelhante às folhas de carvalho. As flores apresentam uma das características mais distintivas da Datura stramonium, possuindo forma de trombeta, com 5 a 17,5 cm. Podem apresentar cores diversas, que vão do branco ao púrpura. A fruta tem forma oval, coberta de espinhos, é dividida em quatro câmaras, cada uma delas com dúzias de sementes de cor negra e pequenas. Todas as zonas da planta emitem um odor fétido, quando esmagadas ou apertadas.

Esta planta possui, em todas as zonas que a compõe, diversas substâncias psicoactivas, nomeadamente alcalóides tropânicos, nomeadamente a atropina, hiosciamina, escopolamina e compostos relacionados, que, quando consumidos em doses elevadas podem, por acção no sistema nervoso central, causar delírios, perda da consciência e amnésia.

O consumo recreativo desta planta apresenta um elevado risco de overdose, com risco de morte.