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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Suíça descriminaliza cannabis


Lei aprovada há um ano entrou em vigor no início do mês. Posse até dez gramas é penalizada com multa.
Desde o início do mês que a posse de cannabis deixou de ser considerada crime na Suíça. Uma alteração legislativa vem permitir que os adultos que sejam encontrados com uma quantidade de marijuana inferior a dez gramas tenham de pagar uma multa de 100 francos suíços (cerca de 80 euros), sem qualquer registo criminal.
A revisão da lei foi aprovada pelo Parlamento há um ano, mas a discussão pública gerada dividiu o país. O objectivo do novo diploma é uniformizar a legislação, que até agora variava de acordo com cada cantão (divisão administrativa suíça), refere a agência estatal Swiss Broadcasting Corporation.
Os apoiantes da descriminalização consideram que o novo regime é uma aproximação pequena mas realista ao problema do consumo. Espera-se também que a medida sirva para poupar recursos, evitando os cerca de 30 mil casos em média que chegavam a tribunal por causa do consumo de cannabis. “Os recursos da polícia devem ficar livres para perseguir o tráfico de droga”, sublinhou a porta-voz da Addiction Switzerland, Corine Kibora, em declarações à SBC.
Uma proposta do Governo para descriminalizar o consumo de cannabis foi rejeitada há cinco anos em referendo, o que reforça o principal argumento dos opositores da medida, de que esta é contrária ao desejo dos cidadãos suíços. O receio de que o consumo entre os jovens aumente também motiva apreensão. “Facilita muito poder ter drogas e não ser punido”, observa um homem de 40 anos, ouvido pela SBC. “Acho que a marijuana pode ser um passo para uma carreira nas drogas”, acrescenta.
Estima-se que cerca de 500 mil cidadãos suíços — numa população de oito milhões — sejam consumidores ocasionais de drogas leves.
Com o novo regime, a Suíça junta-se aos países que descriminalizaram a posse de cannabis, entre os quais Portugal.


Jornal Público

João Ruela Ribeiro
03/10/2013 - 23:26

http://www.publico.pt/mundo/noticia/suica-descriminaliza-cannabis-1608018

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Combate às drogas ilegais está a falhar, alertam investigadores

Preço das drogas caiu e que estas estão mais puras. Investigadores sugerem no British Medical Journal que caminho passa pela despenalização em vez de se apostar em leis duras.

As políticas seguidas em Portugal têm servido de exemplo a nível internacional Reuters


As drogas ilegais são agora mais baratas e mais puras do que alguma vez nos últimos 20 anos, o que mostra que as políticas de combate seguidas estão a falhar. O alerta é feito num estudo do International Centre for Science in Drug Policy, publicado nesta terça-feira no British Medical Journal.
O relatório foi feito com base nos dados de sete observatórios diferentes relacionados com o consumo e tráfico de droga e que contêm informação, de pelo menos dez anos, relacionada com o preço e a pureza da cannabis, cocaína e opiáceos, incluindo heroína. Um deles contém dados de todos os países das Nações Unidas. Os investigadores consideram que chegou a altura de se assumir que o consumo de droga é um problema de saúde pública, muito mais do que uma questão criminal.
De acordo com o documento, entre 1990 e 2010 o preço da droga vendida nas ruas baixou e, pelo contrário, a sua pureza e potência aumentou. Na Europa, por exemplo, o preço dos opiáceos e da cocaína ajustado pela inflação e pureza caiu 74% e 51%, respectivamente, no período de dez anos, de acordo com o observatório sedeado em Vancouver, no Canadá.
Em relação às quantidades apreendidas, também foi possível encontrar uma tendência de aumento consistente desde 1990, tanto na cocaína, heroína como na cannabis, sendo que os autores atribuem estas falhas ao facto de as estratégias dos países se terem focado maioritariamente em endurecer a legislação em vez de optar por soluções como a despenalização.
“Estas conclusões sugerem que expandir esforços no sentido de controlar o mercado ilegal de droga através do endurecimento legal está a falhar”, lê-se no estudo, citado pela BBC. E acrescenta-se: “Precisamos desesperadamente de mudar de um regime proibicionista para um de regulamentação legal”.
Um dos co-autores do estudo, Evan Wood, do International Centre for Science in Drug Policy, com sede no Canadá, reiterou a importância de enquadrar a política de combate às drogas como mais uma vertente da “saúde e segurança da comunidade”, apostando mais em tratamentos do que em condenações.
Dados das Nações Unidas indicam que o tráfico de droga possa representar um volume anual de negócio na ordem dos 350 mil milhões de dólares, contribuindo também para o aumento da incidência de doenças infecciosas como o VIH e para a violência e a criminalidade em muitos países.


Novo plano para Portugal
 
Em Portugal, entrou em Agosto em discussão pública o Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências. A estratégia, que deverá vigorar entre 2013 e 2020, dirige-se às adições com e sem substâncias psicoactivas, e tem em conta os vários ciclos de vida e estabelece metas quantitativas: a prevalência de consumo de drogas em Portugal terá de diminuir 10% nos próximos três anos.
Das avaliações ao Plano Nacional Contra a Droga e as Toxicodependências 2005/2012 e ao Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2010/2012 resultou a opção de alargar a estrutura de coordenação aos comportamentos aditivos que não o álcool e as drogas ilícitas.
O atraso na apresentação do plano é imputado à mudança que, em Dezembro de 2011, extinguiu o Instituto da Droga e da Toxicodependência e criou o Serviço e Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), transferindo para as administrações regionais de saúde a resposta ao fenómeno.
O texto é uma espécie de tratado sobre dependências. Está muito orientado para a redução da oferta e da procura. E deverá ser complementado com planos de acção baseados em diagnósticos. A estratégia, agora em debate, propõe que a intervenção se faça atendendo aos contextos sociais e aos ciclos de vida. Esses ciclos compreendem a gravidez, o período pré-natal, as crianças até nove anos, as crianças e jovens dos dez aos 24, os adultos dos 25 aos 64 e os idosos a partir dos 65. O objectivo é reduzir todas as dependências em todas as idades.
Aliás, as políticas seguidas em Portugal nesta área têm sido várias vezes citadas como paradigma a nível internacional. Por exemplo, há um ano, no Reino Unido, um relatório que defendia a despenalização do consumo de drogas naquele país citava Portugal como um exemplo de sucesso na estratégia que já implementou há cerca de 12 anos.
Portugal descriminalizou em 2001 a posse de cannabis, cocaína, heroína e metanfetaminas para consumo próprio, tendo passado a considerar o toxicodependente como doente e substituindo a pena de prisão pela possibilidade de o infractor ser encaminhado para uma Comissão de Dissuasão e para tratamento. Foi ainda em 1998 que José Sócrates, na altura ministro-adjunto do primeiro-ministro António Guterres, lançou uma política integrada para a toxicodependência, que começou a vigorar três anos depois - apostava na redução de riscos, nomeadamente através da vulgarização da substituição por metadona e do alargamento da troca de seringas.
 


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Um quarto dos jovens considera “pouco ou nada” prejudicial fumar marijuana ou haxixe de vez em quando

Mais de 25% dos estudantes inquiridos no estudo Consumos e Estilos de Vida no Ensino Superior consideram “pouco” ou “nada prejudicial” fumar marijuana ou haxixe de vez em quando. Do mesmo modo, 17,1% não vêem muito prejuízo no facto de se tomar medicamentos sem receita médica e 15,2% admitem que conduzir depois de beber três cervejas é “pouco” ou “nada prejudicial”.
“Há na cultura juvenil alguns mitos que é necessário contrariar com perseverança”, comentou ao PÚBLICO João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (Sicad) e um dos presentes na sessão de apresentação do estudo, esta terça-feira, na Universidade de Lisboa.
O documento foi elaborado a partir de 3327 inquéritos a estudantes do primeiro ciclo e mestrados integrados da Universidade de Lisboa, entre 27 de Novembro e 16 de Dezembro de 2012. E, ainda que no se refere à percepção de comportamentos de risco para a saúde, o estudo conclui que a vasta maioria dos inquiridos considera muito prejudicial fumar cigarros regularmente (83%), tomar quatro a cinco bebidas alcoólicas quase todos os dias (82,4%) e consumir-se smart drugs ocasionalmente (70,7%).
Relativamente aos consumos de substâncias ilícitas, 40% dos estudantes declararam já ter consumido cannabis pelo menos uma vez na vida. Quanto a pergunta incide sobre o consumo de smart drugs, as respostas positivas descem para os 5,4%. Mas voltam a subir para os 26% quando a questão é se alguma vez ingeriram álcool misturado com bebidas energéticas.
Quanto ao consumo actual, ou seja, nos 30 dias anteriores à realização do questionário, 11,3% declararam ter consumidocannabis e 6,5% bebidas alcoólicas misturadas com energéticas. No tocante ao álcool, cujo consumo foi declarado por 72,6% dos inquiridos, destaca-se o facto de 37% dos estudantes terem assumido ter consumido cinco ou mais copos (no caso das mulheres) ou seis ou mais copos (no caso dos homens) na mesma ocasião. É o chamado binge drinking, que pode ser explicado como algo como beber episodicamente uma grande quantidade de álcool para atingir a embriaguez.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Bruxelas aperta o cerco às "smartshops"


Problemas de saúde ocorridos em Portugal em 2012 na origem da reacção da Comissão Europeia.
A Comissão Europeia apresenta hoje um conjunto de medidas para proibir temporariamente a comercialização de "novas substâncias psicoativas" consideradas perigosas para a saúde humana e para criminalizar a distribuição de alguns destes produtos, equiparando-os a drogas como a heroína e a cocaína.
O alarme soou em 2012, quando no espaço de poucos meses vários Estados-membros da União Europeia (UE), entre os quais Portugal, reportaram a ocorrência de dezenas de casos de complicações de saúde graves e até de mortes na sequência do consumo de substâncias consideradas legais e adquiridas legalmente, na maior parte dos casos nas chamadas smartshops.
Estes casos colocaram em evidência a incapacidade da legislação actual para responder de forma eficaz a um fenómeno caracterizado pelo aparecimento rápido de novas substâncias (300 desde 1997, ao nível europeu), capazes de escapar ao enquadramento legal existente. De acordo com a Comissão Europeia, actualmente podem passar quase 24 meses entre a detecção de um problema e a implementação de uma resposta legal.
Para tentar acertar o passo da luta antidroga com o novo desafio, a Comissão pretende que no futuro, em casos semelhantes aos ocorridos em 2012, os países possam em poucas semanas proibir a venda destes produtos aos consumidores durante um ano. Neste período, as autoridades procederão a uma análise exaustiva para enquadrar a substância em causa numa das três categorias de risco que serão entretanto criadas: reduzido, moderado e elevado.
Caso o risco seja considerado "reduzido" a comercialização poderá ser retomada, mas caso seja "moderado" o consumo ao público será proibido, embora se mantenha a utilização industrial e científica. Nos casos de risco "elevado" também a utilização não comercial poderá ser objecto de limitações e a distribuição e venda ao público será equiparada e criminalizada como o tráfico de drogas ilícitas.
De acordo com um Eurobarómetro de 2011, 5,8% dos jovens portugueses com idades entre os 15 e os 24 anos já consumiram substâncias deste tipo, o oitavo valor mais elevado da União Europeia, onde a média é de 5%.

Jornal Expresso
Daniel do Rosário, correspondente em Bruxelas 8:00 Terça feira, 17 de Setembro de 2013


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/bruxelas-aperta-o-cerco-as-smartshops=f830699#ixzz2fCdck6U3

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Novo tratamento contra hepatite C curou 70% dos doentes

A combinação de um antiviral e de um medicamento experimental curou 70% dos pacientes com hepatite C em ensaios clínicos iniciais, prometendo uma solução mais simples para a doença hepática crónica, informaram investigadores.
O ensaio clínico de fase II, descrito num artigo divulgado, na terça-feira, no "Journal of the American Medical Association" (JAMA), estudou a eficácia e segurança de um medicamento experimental, sofosbuvir, tomado com o antiviral ribavirina.
Os fármacos foram tomados oralmente e o tratamento realizado durante seis meses conseguiu uma taxa de cura de 70% e foi bem tolerado, precisam os investigadores.
Os tratamentos atuais podem durar um ano e implicam injeções semanais de interferon alfa combinado o ribavirina e outro antiviral. Entre os efeitos secundários, que podem ser graves, incluem-se a depressão, os sintomas de gripe e a anemia.
O ensaio contou com a participação de 60 voluntários infetados com o genótipo 1 do vírus da hepatite C que responde menos bem ao tratamento à base de interferon, segundo a agência France Presse.
Este estudo clínico sobre a hepatite C também é diferente dos anteriores por incluir participantes com um fígado muito deteriorado e outros com lesões nesse órgão menos avançadas.
Vinte e quatro semanas após o final do tratamento, o vírus não foi detetado em 70% dos participantes, o que é considerado uma cura porque este agente patogénico não se integra no ADN humano.
Shyam Kottilil, do Instituto nacional norte-americano das alergias e doenças infeciosas e principal autor do estudo, considerou que, tendo em conta as características dos participantes, "o resultado é particularmente promissor".

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=3391355&page=-1

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ecstasy conquista uma nova roupagem e um novo público

Uma droga conhecida como Molly conquistou uma nova geração de profissionais conscienciosos que jamais fizeram uma noitada a dançar e costumam fazer escolhas cuidadosas quanto à sua comida, café e roupas. Mas a Molly não é exactamente nova.

 Ecstasy conquista uma nova roupagem e um novo público
Conhecida por causar sentimentos de euforia e por reduzir a ansiedade, era conhecida como ecstasy, ou MDMA, nos anos 1980, quando foi rapidamente adoptada por operadores de Wall Street e outros frequentadores da vida nocturna de Nova Iorque.
Mas, com o crescimento da procura, cresceu também o uso de aditivos em cada pílula - cafeína, anfetamina, efedrina, cetamina, LSD, talco e aspirina. Quando chegou o novo milénio, a reputação da droga já estava abalada.
Depois, em algum momento da década passada, regressou às casas nocturnas sob o nome «Molly» e foi apresentada como uma versão cristalina e em pó do MDMA: pura e segura.

Uma mulher de 26 anos chamada Elliott, que trabalha com cinema, levou Molly alguns meses atrás ao apartamento de um amigo, de onde eles saíram para jantar no Souen - um popular restaurante macrobiótico, natural e orgânico do East Village - e em seguida foram dançar. «As drogas apavoravam-me», diz. «Mas estava curiosa quanto a Molly, que as pessoas dizem ser uma droga pura e divertida.»
«Provavelmente estou a ser ingénua», disse, «mas senti que não estava a colocar tantos produtos químicos no meu corpo.»

Robert Glatter, médico no pronto-socorro do hospital Lenox Hill, em Nova Iorque, discorda. Glatter passou meses sem ouvir sobre o uso de Molly, mas agora recebe cerca de quatro pacientes por mês a sofrer de efeitos colaterais usuais da droga: o ranger dos dentes, a desidratação, a ansiedade, a insónia, a febre e a perda de apetite.
Sintomas colaterais mais perigosos incluem hipertermia, convulsões incontroláveis, hipertensão e depressão causada pela queda súbita dos níveis de serotonina nos dias posteriores ao uso da droga, um efeito apelidado de «terça-feira suicida».
«No passado, os pacientes eram os jovens das raves, mas agora recebemos cada vez mais pessoas na casa dos 30 e dos 40 anos que decidiram experimentar a droga», disse Glatter.
Muitos atribuem o ressurgimento do ecstasy ao regresso da música electrónica, que infiltrou o som de cantoras pop como Rihanna, Kesha e Kate Perry. No Ultra Music Festival, em Miami, no ano passado, Madonna foi criticada por perguntar ao público: «Quantas pessoas por aqui conhecem a Molly?». Ela disse mais tarde que estava a falar de uma amiga, não da droga.
Nos últimos meses, os rappers também adoptaram a droga, com referências a Molly nas suas letras. Rick Ross recentemente teve o seu contrato publicitário com a Reebok cancelado depois de um rap no qual falava que havia misturado a droga na bebida de uma mulher sem que ela soubesse.

As pessoas que gostam de Molly, cujo preço varia de 20 a 50 dólares por dose, dizem que é uma droga socialmente mais aceitável que a cocaína, por não causar vício físico. Cat Marnell, de 30 anos, antig
a directora de beleza da xoJane.com, que recentemente vendeu à editora Simon & Schuster um livro que fala do seu vício em drogas, supostamente por 500 mil dólares, disse que «Molly está na moda». Em referência à cannabis e à cocaína, ela diz que «a cocaína é antiquada. Já a cannabis tem um cheiro forte e, por ser barata, é mais usada por adolescentes».
Mas Marnell rejeita a imagem reformulada do MDMA, dizendo que a Molly «continua a ser uma droga pesada».

O MDMA, o metilenodioximetanfetamina, foi patenteado pelo laboratório farmacêutico Merck em 1914 e não atraiu muita atenção antes dos anos 1970, quando psicoterapeutas começaram a tratar pacientes com ele para convencê-los a falar mais dos seus problemas.
A droga chegou às casas nocturnas de Nova Iorque no final dos anos 80 e no começo dos 90 tornou-se a droga preferida das raves. Para alguns, a Molly continua a ser uma substância mais respeitável que outras drogas.
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Reincidências na heroína quase triplicaram

Os antigos consumidores de heroína voltaram a esta droga. Quase triplicaram em três anos. O álcool e a cocaína seguem igual tendência. A relação com a crise é reportada pelos técnicos no terreno. 

 
foto MARCOS BORGA/Global Imagens
Reincidências na heroína quase triplicaram

 






























Os dados foram apresentados, esta quarta-feira, por Manuel Cardoso, subdiretor geral dos Serviços de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), numa audição parlamentar sobre os problemas relacionados com o álcool. Em 2010, os que voltaram a pedir ajuda às unidades de tratamento chegaram aos 1008. Em 2011, subiram para 1843 e, no ano passado, atingiram os 2881. Este ano, no primeiro semestre, parece assistir-se a um abrandamento, com 856 registos.
O retrocesso a lembrar padrões antigos, assinala João Goulão, presidente do SICAD, traduz o que os técnicos iam comunicando e reflete o agravar das condições económicas destes grupos por natureza vulneráveis ao desemprego e outras adversidades. Outros relatos dão conta de utentes que interrompem tratamento por dificuldade em deslocarem-se.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=3303855

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Medidas de austeridade não afetaram programas contra a droga em Portugal

 O presidente da agência europeia de informação  sobre droga (OEDT) garantiu hoje que as medidas de austeridade em Portugal não  afetacaram os programas de intervenção, mas alertou para o crescimento de  uma "adictofobia" entre a população.

"Houve uma discreta redução em Portugal, mas não houve cortes significativos.  Ainda temos os mínimos olímpicos", afirmou hoje João Goulão, em Lisboa,  durante a apresentação, em Lisboa, do relatório anual da agência europeia  de monitorização do fenómeno da droga (EMCDDA - Observatório Europeu da  Droga e da Toxicodependência, OEDT, na antiga sigla em português), que marca  as última tendências e evoluções do fenómeno da droga na União Europeia,  Noruega, Croácia e Turquia.  
"No essencial, temos condições para dar continuidade às intervenções  que vinhamos fazendo", acrescentou. 
No entanto, João Goulão alertou para um outro risco, que se tem registado  nos últimos anos.   
"Pessoalmente preocupa-me o risco de, num contexto em que o individualismo  vai crescendo, os recursos para tratamento sejam encarados como desperdício [de investimento] pela população em geral", explicou, sublinhado tratar-se  uma "espécie de adictofobia". 
O relatório anual do EMCDDA refere que o tratamento de toxicodependentes  na Europa atingiu níveis recorde, mas é preciso investir em novas intervenções  e na reinserção social e alerta para a necessidade de investir mais em políticas  de saúde dirigidas aos toxicodependentes, sobretudo para tratar a hepatite  C e prevenir as 'overdoses'. 
 O documento dá ainda conta de que o consumo de droga é uma das principais  causas de morte entre os jovens na Europa, com a taxa de mortalidade -  provocada diretamente pelo consumo de droga, através de overdoses, ou  indiretamente, por doenças várias, sobretudo infectocontagiosas, e acidentes,  violência e suicídio - a rondar os 1 a 2 por cento (%) por ano 
Um outro relatório do EMCDDA, em conjunto com a Europol, também hoje  divulgado na cerimónia, revela que a quantidade, o tipo e a disponibilidade  de novas drogas sintéticas na Europa aumentaram em 2012, proliferando sobretudo  através da Internet e acarretando fortes desafios para a saúde pública,  aplicação de legislação e tomada de decisões políticas. 
 
Lusa  

Consumo de drogas estabiliza mas drogas sintéticas aumentam

O consumo de drogas na Europa estabilizou, e nalguns casos até se reduziu nos últimos anos. O uso de cannabis, cocaína e heroína diminuiu, mas, em contrapartida, o recurso a novas drogas sintéticas aumentou. A internet é apontada como a responsável por uma reconfiguração dos mercados europeus da droga.

A tendência também se verifica em Portugal, de acordo com o Relatório Europeu sobre Drogas 2013 da EMCDDA, a agência europeia de informação sobre drogas e dependência de drogas (Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência, na anterior designação em português). Os dados são relativos a 2011.
 
Em entevista à Antena 1 a especialista do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência Maria Moreira alerta para as consequências negativas que a crise poderá vir a ter, quer no consumo de estupefacientes, quer na oferta de tratamento por parte dos países atingidos.
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Bebidas brancas proibidas a menores de 18 anos a partir desta quarta-feira

A proibição de venda, disponibilização ou consumo de bebidas espirituosas, a menores de 18 anos, e de cerveja e de vinho, a menores de 16, entra, esta quarta-feira, em vigor, com a nova legislação sobre o álcool. 

 
foto Global Imagens/Arquivo
Bebidas brancas proibidas a menores de 18 anos a partir desta quarta-feira
 












 

O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, destacou, em declarações à agência Lusa, que o novo diploma veio trazer mecanismos mais eficazes de fiscalização às autoridades, lembrando que passam a poder mandar encerrar os estabelecimentos, para efeitos de recolha de prova.
"É ainda muito relevante que esta lei tenha agora incluído um conjunto de disposições que permitem alertar os encarregados de educação e o envio para as autoridades de saúde, quando forem encontradas situações de risco", afirmou Fernando Leal da Costa.
A partir desta quarta-feira, os menores ficam proibidos de consumir bebidas alcoólicas em locais públicos ou abertos ao público, podendo, nestes casos, ser exigida pelas autoridades a apresentação de documento de identificação que comprove a idade.
Nos casos em que sejam detetados menores a consumir e em situação de "intoxicação alcoólica", as autoridades fiscalizadoras têm de notificar os representantes legais e os núcleos de apoio a crianças e jovens em risco dos centros de saúde ou hospitais, quando não for possível contactar os pais. 

Com a nova legislação, passa ainda a ser proibida a disponibilização ou venda de álcool em máquinas automáticas e nos postos de abastecimento de combustível em autoestradas ou fora de localidades.
Nas restantes bombas de gasolina, a proibição da venda de álcool vigora entre as 00.00 horas e as 8.00 horas.
"Esta lei vai retirar uma fonte de consumo e aquisição não controlada e contribui para a diminuição de áreas de risco, como se estavam a constituir os postos de abastecimento de combustível durante a noite, onde as lojas de conveniência eram transformadas em bares", afirmou o secretário de Estado da Saúde.
Leal da Costa lembra que a legislação referente à venda e consumo de álcool não era alterada há 11 anos, considerando que alguns dos críticos do novo diploma tiveram a oportunidade de alterar a lei e não o fizeram.
O governante justifica a diferenciação entre os 16 e os 18 anos, consoante o tipo de bebida a consumir, com os padrões de consumo detetados nos jovens portugueses: "Tendo analisado os padrões de consumo específicos de jovens entre os 16 e os 18 anos, entendemos que era mais sensato e razoável proibir o consumo de bebidas espirituosas, componentes essenciais dos 'shots', entre os 16 e os 18 anos". 

O Fórum Nacional Álcool e Saúde, presidido por João Goulão, foi uma das entidades que contestou a decisão do Governo de permitir o consumo de algumas bebidas alcoólicas a jovens a partir dos 16 anos, classificando-a como uma medida sem bom senso.
"Fomos surpreendidos com esta diferenciação, que nem a evidência científica nem o bom senso conseguem justificar", refere um documento publicado pelo Fórum, no mês passado, depois de a legislação ter sido aprovada em Conselho de Ministros.
Os elementos do Fórum defendiam que o diploma devia proibir o consumo e venda de qualquer bebida alcoólica a menores de 18 anos, independentemente do tipo de bebida. 

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3195069&page=-1 

terça-feira, 30 de abril de 2013

Alerta contra nova droga das violações

A Ketamina é a nova droga predadora usada para violações. Mas também é consumida por jovens, que a obtêm a partir de um poderoso anestésico veterinário vendido em farmácias. A GNR está em alerta.
foto Paulo Spranger / Global Imagens
Alerta contra nova droga das violações
Nova droga é misturada em bebidas















"É uma realidade que está a grassar nas nossas cidades, em contextos recreativos", como festivais de música, discotecas, raves ou simples festas, denuncia Fernando Mendes, presidente do IREFREA Portugal - Instituto Europeu para o Estudo dos Fatores de Risco, uma organização não-governamental (ONG) que investiga 'in loco' fenómenos de dependência e atua ao nível da prevenção.

O psicólogo de Coimbra não tem dúvidas: a Ketamina, ou "K", como também é conhecida (há outras alcunhas, como "Special K"), "é particularmente usada como droga predadora, para ataques sexuais. Ultimamente, temos tido casos de violações de raparigas e rapazes", afirma. O fenómeno "tem-se acentuado", sublinha Mendes, e não há divulgação do mesmo ou campanhas de alerta a nível nacional.


http://www.jn.pt/PaginaInicial/Seguranca/Interior.aspx?content_id=3192522

quinta-feira, 7 de março de 2013

Governo define novas substâncias psicoativas e encerra "smartshops"


O Governo aprovou, esta quinta-feira, um diploma que define as "novas substâncias psicoativas", considerando-as uma ameaça para a saúde pública, proíbe "qualquer atividade" com elas relacionada e determina o "encerramento dos locais utilizados para esses fins".
foto Paulo Spranger/ Global Imagens

Governo define novas substâncias psicoativas e encerra "smartshops"
Interior de uma "smartshop"

As novas substâncias contempladas no diploma, refere o comunicado do Conselho de Ministros divulgado esta quinta-feira, são substâncias que "em estado puro ou numa preparação podem constituir uma ameaça para a saúde pública comparável às substâncias já enumeradas em legislação".

"Fica proibida toda e qualquer atividade, continuada ou isolada, de produção, importação, exportação, publicidade, distribuição, detenção, venda ou simples dispensa das novas substâncias psicoativas. Determina-se ainda o encerramento dos locais utilizados para esses fins", lê-se no comunicado divulgado no final da reunião do Governo.
A nova legislação estende ainda às novas substâncias psicoativas "o âmbito dos programas e estruturas de prevenção, redução de riscos e minimização de danos, de reinserção social e de tratamento do consumo de substâncias psicoativas, dos comportamentos aditivos e das dependências".
"Este diploma dá assim resposta à problemática associada ao consumo das novas substâncias psicoativas, que têm sido desenvolvidas a um ritmo crescente e que não se encontram incluídas nas listas de proibição das Convenções das Nações Unidas, transpostas para a legislação portuguesa", refere o documento.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3094214

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Só as bebidas espirituosas passam a estar interditas a menores de 18 anos. “É o diploma mais ridículo que já vi”, insurge-se médico.
A nova lei do álcool foi aprovada nesta quinta-feira em Conselho de Ministros AFP
O Governo tinha anunciado o aumento para os 18 anos da proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas. Afinal, é só para as bebidas espirituosas, mantendo-se nos 16 anos a idade mínima legal para a compra de vinho e cerveja, a bebida mais consumida nestas faixas etárias. Os especialistas criticam o recuo, que só deixou os produtores de cerveja satisfeitos.
De acordo com um diploma aprovado nesta quinta-feira em Conselho de Ministros, os jovens com menos de 18 anos passam a estar proibidos de comprar bebidas espirituosas e equiparadas, geralmente denominadas “bebidas brancas” e que são as de maior teor alcoólico.

A fiscalização pode, em caso de flagrante delito, decretar o encerramento imediato do estabelecimento durante um máximo de 12 horas. Depois, além de uma multa, que pode ir dos 2500 aos 30 mil euros, o estabelecimento pode ser encerrado durante um período de até dois anos.
O Governo decidiu também proibir a venda de bebidas entre a meia-noite e as 8h00 fora dos estabelecimentos de restauração, bares e discotecas, assim como portos e aeroportos. Ou seja, as lojas de conveniência, os postos de combustíveis nas auto-estradas e fora das localidades não poderão vender álcool durante a noite.
A intenção do Governo é “colocar barreiras ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes”, mas também permitir que as forças de segurança tenham agora mecanismos mais adaptados às acções de fiscalização.
“Não tencionamos penalizar os consumidores”, garante o secretário de Estado adjunto da Saúde, pretendendo-se antes “dissuadir os estabelecimentos e os prevaricadores de insistirem na venda de bebidas alcoólicas a menores de idade”.
Não há, por isso, multas para os consumidores. Mas quando detectarem jovens a consumir bebidas alcoólicas sem que tenham idade para tal, as forças de segurança terão que notificar os pais ou responsáveis legais pelo jovem e também o centro de saúde da área de residência. No limite, a questão poderá chegar aos núcleos de apoio às crianças e jovens em risco, que deverão acompanhar o caso e enquadrar os menores.
“A partir de agora, de uma forma muito clara, assume-se que é um problema de risco de saúde e de saúde pública”, argumenta o secretário de Estado da Saúde.
Proteger o interesse das empresas
“Não há álcool bom e álcool mau”, reagem os representantes da Associação Nacional das Empresas de Bebidas Espirituosas. “É o diploma mais ridículo que já vi. O álcool é todo igual, seja vinho, cerveja ou outra coisa”, critica também o hepatologista Fernando Ramalho, em declarações à agência Lusa.
A decisão do Governo de manter a proibição de venda e consumo de vinho e cerveja nos 16 anos de idade merece apenas o aplauso da Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja, que considera esta medida “adequada”, porque leva em conta a realidade portuguesa.
O hepatologista Fernando Ramalho considera que, desta forma, o Governo não está interessado em proteger a saúde dos portugueses. “Sou frontalmente contra isso. É o diploma mais ridículo que já vi. O álcool é todo igual, seja vinho, cerveja ou outra coisa”, indigna-se o responsável da unidade de hepatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Fernando Ramalho lamenta que “os interesses das empresas que vendem álcool se sobreponham ao interesse da saúde dos portugueses”. O especialista defende que, antes dos 18 anos, devia ser proibido o consumo de todas as bebidas alcoólicas, lembrando que é assim que acontece nos “países civilizados”.
A par desta proibição, advoga uma fiscalização intensa e medidas de educação dirigidas para os mais novos. Na Europa, ainda há países que permitem o consumo de algumas bebidas aos 16 anos, como o Reino Unido e a Bélgica, mas em Espanha, França, Irlanda ou Finlândia já se impõe os 18 anos como limite mínimo para o consumo de qualquer bebida alcoólica.
Frisando que o álcool “é todo igual”, independentemente de ser cerveja, vinho ou vodka, o hepatologista do Santa Maria e professor na Faculdade de Medicina de Lisboa lastima que haja políticos que “continuam interessados em patrocinar algumas empresas de bebidas”, escusando-se a ouvir a opinião “de quem está no terreno”. Fernando Ramalho diz que o impacto do álcool na saúde dos mais jovens é significativo e que há “situações graves” registadas no país.
A Associação Nacional das Empresas de Bebidas Espirituosas (ANEBE) também critica a medida. “Assistimos com alguma incompreensão à aparente intenção governamental de recuar na subida da idade”, disse à Lusa o secretário-geral da ANEBE, Mário Moniz Barreto, que defende a subida para os 18 anos da idade mínima da venda e consumo de todas as bebidas alcoólicas.
“Não há álcool bom e álcool mau”, diz Moniz Barreto, para quem esta diferenciação vai contra as recomendações comunitárias e internacionais, que defendem a harmonização da idade mínima nos 18 anos.
Já o secretário-geral da Associação Portuguesa dos Produtores de Cerveja (APPC) considera que a manutenção dos 16 anos como idade mínima para a venda e consumo desta bebida é “adequada” e leva em conta a realidade portuguesa. Para Francisco Gírio, existem idades mínimas de início de consumo de bebidas alcoólicas, e este “deve iniciar-se com bebidas com menor grau alcoólico”.

(...)
O presidente da Associação de Produtores de Cerveja, Pires de Lima, que é também presidente do conselho nacional do CDS-PP, insurgiu-se de imediato contra a proposta “proibicionista”. O CDS-PP parecia demarcar-se do parceiro de coligação no avanço destas medidas. E quando, recentemente, os especialistas responsáveis pela elaboração do plano nacional de prevenção do suicídio defenderam novos limites à venda de álcool, Pires de Lima voltou a qualificar a proposta como “completamente disparatada”.
O álcool “não pode servir de bode expiatório”, defendeu o presidente da Associação de Produtores de Cerveja, argumentando que “o seu consumo tem vindo a baixar ao longo dos últimos três anos em Portugal”. Combater o mau uso do álcool passa, ainda no entender do presidente do conselho nacional do CDS-PP, “pelo investimento na educação dos jovens e pela fiscalização”.
Em entrevista ao PÚBLICO, no início deste mês, Leal da Costa voltou a confirmar o aumento da idade legal para os 18 anos, adiantando apenas que esta distinção entre bebidas alcoólicas estava em avaliação.
“[A  separação] é matéria que ainda merece alguma reflexão no interior do Governo e estamos a avaliar os cenários mais adequados à realidade portuguesa”, disse o governante, acrescentando que, “apesar de vários países europeus seguirem esse modelo de separação, o mais importante é uma fiscalização eficaz”. 
Em Conselho de Ministros, foi também aprovada uma proposta de lei que reduz para 0,2 gramas por litro de sangue o limite máximo de álcool permitido para condutores recém-encartados, assim como condutores de veículos de socorro ou de serviço urgente, de transporte colectivo de crianças e jovens até 16 anos, táxis, veículos pesados de passageiros e mercadorias, ou veículos de transporte de mercadorias perigosas.


Venda noturna de álcool proibida em alguns locais

Venda noturna de álcool proibida em alguns locais

A nova lei do álcool, hoje aprovada pelo Governo, aposta no reforço da fiscalização nos estabelecimentos de consumo e proíbe a sua venda entre as 00:00 e as 08:00 em alguns locais, como bombas de gasolina. Assim, a venda de bebidas alcoólicas só será permitida em estabelecimentos de restauração e/ou bebidas e estabelecimentos de diversão noturna.

Em conferência de imprensa, no final do conselho de ministros, o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, afirmou que "a venda de bebidas alcoólicas vai ser proibida entre as 00:00 e as 08:00 fora dos estabelecimentos de restauração e bebidas e dos localizados em portos e aeroportos de acessibilidade reservada a passageiros, bem como dos recintos de diversão noturna".
Leal da Costa adiantou que este diploma visa, como medida de saúde pública, "colocar barreiras ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes" através do aumento da idade mínima de acesso e da proibição da sua venda em determinados locais.

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3066306

Deco diz que nova lei do álcool é "claro recuo" na prevenção do alcoolismo

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor considera que a existência de duas idades mínimas para a venda e consumo de álcool "não faz qualquer sentido" e representa um "claro recuo" na prevenção do alcoolismo.
foto STEVEN GOVERNO/Global Imagens
Deco diz que nova lei do álcool é "claro recuo" na prevenção do alcoolismo

Em reação à nova lei do álcool, aprovada em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, Bruno Campos Santos disse à Lusa que estas medidas representam "um recuo claro na prevenção do consumo de álcool", nomeadamente a existência de uma idade mínima para a venda e consumo das bebidas espirituosas (18 anos) e outra para o vinho e a cerveja (16 anos).
"É como permitir aos jovens fumar cigarros a partir dos 16 anos e só fumar charutos a partir dos 18 anos", disse Bruno Campos Santos.
Este responsável da DECO disse desconhecer qualquer fundamento científico para esta diferenciação e considera que "vai em contramão com a realidade em Portugal".
"Todos nós sabemos que os jovens consomem mais cerveja, porque só têm poder económico para esta bebida, e consomem muito, principalmente através das «litradas»", que consistem na ingestão de grandes quantidades deste tipo de bebida.
"Só quem não conhece a realidade é que pode achar que estas mudanças vão disciplinar o acesso ao álcool", adiantou.
Bruno Campos Santos disse ainda ter dúvidas sobre a fiscalização da lei.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3066719&page=-1

Nova lei do álcool não impede menores de 18 anos de beberem vinho e cerveja

A nova lei do álcool, aprovada esta quinta-feira pelo Governo, aposta no reforço da fiscalização nos estabelecimentos de consumo e proíbe a sua venda entre a meia-noite e as 8 horas em alguns locais, como bombas de gasolina.
 
foto Leonel de Castro / Global Imagens
Nova lei do álcool não impede menores de 18 anos de beberem vinho e cerveja

 
Em conferência de imprensa, no final do conselho de ministros, o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, afirmou que "a venda de bebidas alcoólicas vai ser proibida entre a meia-noite e as 8 horas fora dos estabelecimentos de restauração e bebidas e dos localizados em portos e aeroportos de acessibilidade reservada a passageiros, bem como dos recintos de diversão noturna".
Leal da Costa adiantou que este diploma visa, como medida de saúde pública, "colocar barreiras ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes" através do aumento da idade mínima de acesso e da proibição da sua venda em determinados locais.
A nova lei introduz a diferenciação dos limites etários, passando para os 18 anos a idade mínima da venda e consumo de bebidas espirituosas.
Para o vinho e a cerveja, a idade mínima para a venda e o consumo mantém-se nos 16 anos.
Tanto Leal da Costa, como o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Marques Guedes, recusaram, na conferência de imprensa, que o Governo esteja a ceder a pressões da indústria da cerveja e do vinho ao estabelecer esta diferenciação.
O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde sublinhou que com esta medida o Governo está "a eliminar em 50% o consumo de álcool em jovens e a diminuir significativamente a probabilidade de embriaguez", segundo conhecimentos estatísticos.
Leal da Costa salientou também que a nova legislação vai reforçar a fiscalização nos locais de venda e consumo de bebidas alcoólicas, correspondendo esta medida "a uma forma muito eficaz de dissuadir os estabelecimentos e os prevaricadores a vender álcool a menores de idade"
"Com o diploma será muito mais eficaz o exercício das medidas dissuasoras para os prevaricadores, prevendo-se o encerramento temporário do estabelecimento quando a lei for violada", sustentou.
Além das coimas está previsto um conjunto de sanções acessórias para os estabelecimentos, como o encerramento imediato em caso de flagrante delito ou a interdição da atividade por um período até dois anos.
O secretário de Estado afirmou também que o Governo não pretende sancionar ou penalizar comportamentos, antes pretende o Governo de forma progressiva colocar barreiras ao consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes, especialmente os menores de 16 anos.
Leal da Costa disse ainda que a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e as forças de segurança vão passar "a fazer uma fiscalização mais frequente, consequente e continuada destes processos de forma a eliminar alguns destes focos de risco".
Na conferência de imprensa, Marques Guedes afirmou também que a nova legislação vai "responsabilizar as próprias famílias", passando a ser obrigatório, em casos de deteção pelas autoridades de fiscalização de jovens em situação de intoxicação alcoólica, a notificação aos responsáveis do menor

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3066301&page=-1.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Três adolescentes intoxicadas com produtos de uma "smart shop"

Três adolescentes foram internadas, esta sexta-feira à tarde, no Hospital de Beja, depois de terem ficado intoxicadas por substâncias adquiridas numa "smart shop" situada no centro comercial junto à estação rodoviária.
Eram cerca das 17, 25 horas desta sexta-feira quando as três adolescentes, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos, foram vistas na rua, junto ao terminal rodoviário, em estado de sofrimento.
O alerta foi dado às autoridades e, de imediato, uma ambulância compareceu no local para transportar as raparigas para o Serviço de Urgência do Hospital de Beja.
Fonte médica disse ao JN que, após tratamento, as adolescentes - alunas de uma escola da cidade - ficaram estáveis, mas continuam em observação.
A "smart shop" foi, recentemente, fechada após uma inspeção por parte de agentes da ASAE, que dali levaram muitos produtos. Contudo, a loja reabriu com a venda de novas substâncias.

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Beja&Concelho=Beja&Option=Interior&content_id=3016209

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Bares incumpridores do Porto arriscam-se a ver o horário reduzido e a porta fechada

As medidas podem ser aplicadas a empresários da noite reincidentes. Encerramento será sempre superior a três meses. A Câmara do Porto vai poder alterar a hora de encerramento dos estabelecimentos de animação nocturna da Baixa, antecipando-a para a meia-noite, ou até encerrá-los por um período que pode ir de três meses a dois anos, no caso de os seus proprietários reincidirem no incumprimento das regras estabelecidas para aquela zona da cidade ou se cometerem infracções consideradas graves. As sanções constam das novas alterações ao Código Regulamentar do Município do Porto (CRMP), que deverão ser aprovadas na reunião do executivo da próxima semana. A nova versão do CRMP passa a integrar o Regulamento de Gestão do Parque Habitacional do Município do Porto (aprovado pelo executivo no dia 18 de Dezembro), mas centra-se sobretudo na tentativa de garantir "a compatibilização entre a dinâmica nocturna da Baixa do Porto e o direito à segurança e ao cumprimento das regras de ruído dos [seus] habitantes" . Para isso, o documento estipula um conjunto de regras e sanções que se destinam, exclusivamente, àquela zona da cidade. O CRMP estipula, por exemplo, que bares e discotecas com amplificadores de som ou mesas de mistura têm de possuir um "limitador-registador de potência sonora" (cujas características também são especificadas) e estão proibidos de instalar "colunas e demais equipamentos de som no exterior do estabelecimento ou nas respectivas fachadas". A aquisição dos limitadores de potência já está a ser contestada, em tribunal, por alguns empresários. Coimas "irrisórias" Quem entrar em incumprimento ficará sujeito a coimas e a medidas sancionatórias acessórias. E, se as multas previstas no CRMP são "irrisórias" – conforme defende o líder da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, António Fonseca (ABZHP) –, as restantes sanções podem ter consequências mais gravosas para os estabelecimentos. O documento estabelece que, caso "a culpa do agente e a gravidade da infracção o justifique, ou em caso de reincidência", a câmara pode alterar o horário de encerramento do estabelecimento para a meia-noite, por um período que pode variar entre os 30 e os 90 dias. O município pode ainda optar pelo "encerramento do estabelecimento durante um período não inferior a três meses e não superior a dois anos". Se, nos três anos anteriores, o proprietário do estabelecimento tiver sido condenado por três infracções relacionadas com o exercício da actividade, o município pode ainda proceder à cassação da licença de utilização do espaço e aquele titular ficará impedido de solicitar nova licença pelo prazo de dois anos. António Fonseca diz que a ABZHP "acha muito bem" a possibilidade de os incumpridores verem os seus estabelecimentos encerrados, desde que essa medida seja aplicada "para disciplinar". Já sobre as coimas previstas no documento, o empresário considera-as "irrisórias". O CRMP estabelece que quem não cumprir os horários autorizados ou não adquirir o limitador de potência sonora (apresentando o respectivo comprovativo) poderá ser sujeito a uma multa que varia entre os 50 e os 748 euros (pessoas individuais) e os 500 e cinco mil euros (pessoa colectiva). Colunas voltadas para a rua podem custar entre 30 e 90 euros (individuais) ou 90 e 300 euros (colectivas). Fonseca defende o fim da distinção entre pessoas individuais e colectivas, já que, diz, "muitas vezes a capacidade de facturação dos espaços registados como pessoas individuais é superior à dos outros". Jornal Público de 11/01/2013 - 16:01 Por: Patrícia Carvalho http://www.publico.pt/local/noticia/bares-incumpridores-do-porto-arriscamse-a-ver-o-horario-reduzido-e-a-porta-fechada-1580376

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

GNR deteve 305 condutores por excesso de álcool na operação Ano Novo

Mais de 300 condutores foram detidos pela GNR nos cinco dias da operação Ano Novo, que contabilizou menos 86 acidentes e menos cinco mortos em relação ao mesmo período do ano passado.
Durante a operação Ano Novo, que decorreu entre sexta e terça-feira, os militares da GNR realizaram 800 ações diárias essencialmente direcionadas para a condução sob o excesso de álcool e de velocidade, bem como a não utilização do cinto de segurança, adianta uma nota do Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana.
Nos cinco dias da operação, a GNR fiscalizou 44.522 condutores e deteve 388, dos quais 305 por conduzirem com taxa igual ou superior a 1,20 gramas de álcool no sangue.
Os militares da corporação detetaram ainda 2.889 condutores em excesso de velocidade e 866 com taxa de álcool superior à permitida por lei, além de ter multado 316 por infrações relacionadas com a não utilização de cintos de segurança.
Na operação de Ano Novo, que termina às 24:00 de terça-feira, a corporação registou 791 acidentes, menos 86 do que no ano passado, duas vítimas mortais (menos cinco), 24 feridos graves (mais quatro) e 227 feridos ligeiros (menos 43).
Na nota, a GNR adianta que as operações de Natal e Ano Novo registaram 2.016 acidentes, que provocaram 10 mortos, 55 feridos graves e 608 feridos ligeiros.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, a GNR verificou menos 181 mortos, menos 13 mortos, menos sete feridos graves e menos 45 feridos leves.
As operações Natal e Ano Novo envolveram diariamente 1.770 militares da Unidade Nacional de Trânsito e dos comandos territoriais, que foram reforçados por elementos das unidades de Segurança e Honras de Estado e de Intervenção.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Seguranca/Interior.aspx?content_id=2972677&page=-1

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Hospitais com mais de 30 casos por consumo de drogas legais em dois meses

Os hospitais portugueses registaram 34 casos de complicações por consumo das chamadas drogas legais, em dois meses, segundo dados do Ministério da Saúde, que apontam para 16 internamentos e duas situações de coma.
 
"Isto só vem demonstrar o elevado grau de perigosidade destas substâncias e justificar a nossa preocupação em, tão cedo quanto possível, criar um quadro legislativo que torne impossível a venda destes produtos", afirmou em entrevista à agência Lusa o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa.
Os hospitais públicos começaram a registar em meados de Outubro casos de complicações em doentes por consumo destas novas substâncias psicoativas que geralmente são vendidas em lojas conhecidas como "smartshops".
Dos 34 casos registados, há uma taxa elevada de complicações a nível psiquiátrico, com metade dos doentes a apresentar alterações de comportamento consideradas muito graves.
A maioria das ocorrências são registados na zona de Lisboa e Vale do Tejo e na zona Centro, onde há maior concentração das lojas que vendem estes produtos. Há cerca de 40 locais que comercializam estas substâncias, vendidas ainda legalmente como fertilizantes de plantas.
Apesar de ainda estar em curso a investigação de dois casos de morte, o secretário de Estado disse que não há ainda registo de óbitos diretamente atribuídos às substâncias compradas nas "smartshops".
Aliás, o Instituto de Medicina Legal passou a incluir estas substâncias nos seus exames toxicológicos como perfil de exclusão de causas de morte tóxica em doentes sem outra razão aparente para óbito.
Mesmo sem registo de óbitos, o secretário de Estado da Saúde considerou "preocupante" que mais de 30% das ocorrências indiquem sequelas neurológicas ou mentais.
Além disso, dos 34 casos,nove deles eram reincidências, ou seja, casos de pessoas que já tinham entrada nas urgências dos hospitais com complicações por consumo destas drogas.
Outra questão que preocupa as autoridades é a baixa média de idades que mostra o perfil dos consumidores atendidos nos hospitais: 40% das ocorrências dizem respeito a jovens até aos 17 anos e 80% a pessoas até aos 30 anos.

"O perfil a que estamos a assistir, em particular nos jovens, deixa-nos muito alarmados", afirmou Leal da Costa, apontando para uma tendência de casos em que são consumidas, ao mesmo tempo, várias substâncias: novas drogas, álcool e também canábis.
Por estarem na fronteira de legalidade e serem vendidas em lojas de porta aberta, estas substâncias são de fácil acesso e não é até agora possível proibir a sua venda. 
Segundo o secretário de Estado, a Autoridade do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) está a terminar a lista de substâncias que vai permitir criar uma portaria para suspender a venda destes produtos, "por razões de saúde pública", por um período até 18 meses.
Durante esse tempo, estas novas drogas irão ser incluídas na lei que proíbe já a venda de estupefacientes, um processo legislativo demorado e que justifica, assim, a criação prévia da portaria.
"Vamos fazer a proibição de grandes grupos químicos. Estão identificados três grupos de substâncias que são as principais drogas de síntese usadas nestes produtos: os derivados das catinonas, os canabinoides sintéticos e as anfetaminas", explicou o secretário de Estado da Saúde.
Esta portaria permitir dar às autoridades fiscalizadoras, como a ASAE, o enquadramento legal necessário para atuar sobre as "smartshops".
"O que queremos é pegar nestas substâncias e equipará-las aos estupefacientes que estão proibidos e, a partir daí, estas lojas terão de mudar de rumo", afirmou à Lusa o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde.

www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2967282