Esta quinta-feira o Juicy Event contará com a presença de um convidado especial, o DJ Jon Kennedy.Convidamos todos os amigos da Existências a aparecerem no Quebra, a partir das 23 horas, e a experimentarem os sumos naturais...
Plataforma de apoio ao Projecto de Prevenção do consumo de substâncias psicoactivas em contextos recreativos
A iniciativa "Antes que te Queimes", que visa reduzir o consumo de álcool durante as festas académicas de Coimbra, vai apostar este ano no aconselhamento das raparigas, por se ter constatado que bebem "quase tanto" como os rapazes.
"Vamos apostar este ano nas mulheres, porque detectámos que as raparigas em Coimbra bebem quase tanto como os rapazes", revelou hoje à agência Lusa a coordenadora da iniciativa, Irma Brito, acrescentando que um estudo comparativo permitiu concluir que, em Coimbra, as raparigas beberam mais do que as estudantes de Aveiro e Leiria.
As razões pelas quais as mulheres são menos tolerantes às bebidas alcoólicas - entre outros fatores a menor quantidade de água no organismo, o peso corporal e uma menor capacidade do fígado de degradar o álcool - vão ser os motes da intervenção.
"O enfoque vai ser no alcoolismo no feminino. Vamos tentar uma maior consciencialização das raparigas", adiantou a professora, doutorada em ciências de enfermagem, no ramo de saúde comunitária.
No âmbito do projeto, desenvolvido pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), decorrem até 24 de Fevereiro ações de informação dirigidos aos estudantes da cidade, uma das quais acontece já na quarta-feira. O trabalho assenta na metodologia de educação pelos pares, em que jovens sensibilizam outros jovens.
Em cada edição da Queima das Fitas de Coimbra são feitos cerca de mil aconselhamentos e, de acordo com Irma Brito, uma das leituras que se pode tirar do trabalho desenvolvido desde 2006 é que "há uma correlação positiva entre o consumo e a autoestima nos rapazes e uma correlação negativa nas raparigas".
"Raparigas com baixa autoestima bebem mais, tornam-se mais vulneráveis e disponíveis para sexo desprotegido, rapazes com elevada autoestima bebem mais", adiantou.
Segundo Irma Brito, "o principal ganho destas estratégias é que os jovens que aconselham são os que mais lucram: todos os anos, cem novos alunos, voluntários, deixam de beber e passam a ser consumidores responsáveis". "Este ano, temos 195 inscritos", referiu.
Por outro lado, cerca de 23 por cento dos jovens que responderam a questionários disseram que após o aconselhamento deixaram de conduzir sob o efeito do álcool.
Reduzir o consumo abusivo de bebidas alcoólicas durante as festas académicas, minimizando os danos associados, é o principal objetivo do projeto "Antes que te Queimes", que compreende ainda ações sobre sexualidade responsável, primeiros socorros e substâncias psicoativas.
Após a formação específica, os educadores de pares fazem aconselhamento personalizado a partir da avaliação da alcoolemia e do risco de danos associados (sexo desprotegido e sinistralidade rodoviária), distribuem preservativos femininos e masculinos e prestam primeiros socorros aos jovens que se encontrem embriagados.
Além da ESEnfC e da respetiva Associação de Estudantes, são parceiros do projeto o Governo Civil, Administração Regional de Saúde do Centro, Institutos da Droga e da Toxicodependência e da Juventude, Associação Existências, Associação Académica de Coimbra e Núcleo de Pereira da Cruz Vermelha Portuguesa.
A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, em conjunto com diversos parceiros, já está a preparar o projecto Antes Que Te Queimes que decorre durante a Queima das Fitas. O objectivo é reduzir o consumo de bebidas alcoólicas durante a maior festa da academia da cidade e, para tal, já estão a decorrer acções de informação, dirigidas aos estudantes, e de formação, dedicadas aos técnicos de saúde.
Estas iniciativas, que começaram ontem e terminam a 24 de Fevereiro, são apenas o primeiro passo do projecto. A seguir, estudantes voluntários vão receber formação para prestarem auxílio e aconselhamento a jovens durante a Queima. A ideia é abordarem os estudantes que passarem pelo Largo da Portagem, a caminho do recinto da festa, para perceberem o tipo de apoio de que os colegas poderão precisar.
Uma das novidades deste ano é a criação de equipas constituídas por dois estudantes e um profissional de saúde que vão circular pela Alta e Baixa de Coimbra, durante a Queima, para evitar que jovens alcoolizados sejam abandonados ou vítimas de violência. Há várias outras acções previstas como, por exemplo, a distribuição de preservativos.
Na opinião da coordenadora do projecto e docente de enfermagem, Irma Brito, que já orientou várias teses de mestrado e doutoramento sobre o tema, há motivos para preocupação em Coimbra. "Nas investigações que fizemos, detectámos que as raparigas bebem quase tanto como os rapazes na Queima e que isso é típico de Coimbra. Fizemos estudos comparativos com outras cidades, como Leiria e Aveiro, e aí bebem menos", adianta. Noutro estudo, as investigadoras detectaram uma associação entre a auto-estima e o consumo de álcool: os rapazes com auto-estima elevada bebem mais; já as raparigas que mais bebem são aquelas que têm menos auto-estima. Por isso, vai ser também lançada, este ano, uma campanha de sensibilização dirigida às estudantes: "Achamos que devemos consciencializar as raparigas que são diferentes dos rapazes e não podem beber tanto, porque que se expõem a maiores riscos."
Irma Brito considera que há comportamentos "graves" associados ao consumo de álcool na Queima: "Temos dados, evidências científicas, de que há jovens que começam a consumir no início da Queima e que só terminam no último dia, para não sofrer ressaca. Isto é grave."
Jornal Público
Quinta-Feira 28/01/2010
Por Maria João Lopes

Mortes por overdose
levantam suspeitas

Num país de 'bebedores excessivos', a época das festas é propícia a excessos. Há dezenas de receitas e cada vez mais produtos para combater a ressaca, mas o único eficaz é não beber, dizem médicos.
O único remédio eficaz para evitar a ressaca é não beber de todo ou beber moderadamente. O conselho, (...), é do médico Martins Baptista, que todos os anos recebe vários casos de intoxicação nas urgências do hospital Pulido Valente, em Lisboa, devido aos excessos de fim de ano. É que os outros remédios, medicamentos ou tradicionais, têm pouco efeito e muitos são apenas mitos, garante.Por outro lado, há medicamentos à venda que podem aliviar alguns dos sintomas, como a dor de cabeça ou os vómitos, mas não conseguem evitar a ressaca ou "curá-la", afirma o médico Luís Paulino.
As dores de cabeça e de estômago, a boca seca e o cansaço são alguns sintomas de uma "doença" que pelo menos tem uma causa clara: os copos a mais bebidos na noite anterior.
A explicação científica também é simples: cerca de 90% do álcool ingerido é processado pelo fígado e transforma-se em acetaldeído, uma substância altamente tóxica. Há outros factores que podem influenciar a absorção do álcool pelo organismo: beber com o estômago vazio; o tipo e qualidade da bebida; ou a constituição física da pessoas, diz Luís Paulino.
"Somo um país de bebedores excessivos e este época e propícia a excessos", lembra João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência . A única maneira de evitar a ressaca (...) é beber de forma moderada. Mas o que é beber moderadamente? Cerca de três bebidas, "uma quantidade compatível com a condução de um carro, porque a partir dos 0,5 de álcool no sangue já há alterações de resposta e comportamento", E uma bebedeira é uma agressão capaz de causar lesões permanentes no fígado e no cérebro, explica. Lesões que não passam, ao contrário dos sintomas desagradáveis da ressaca.
Mas quando o mal já está feito, em vez de se recorrer a curas milagrosas, deve-se beber muita água, para hidratar, diz Luís Paulino. Aliás, o ideal é começar por acompanhar os copos de vinho ou de vodka com copos de água. "Tomar um analgésico para dor de cabeça e vitaminas para ajudar a metabolizar o álcool também ajudam, mas o melhor é repousar", conclui. Já a ideia de que outra bebida alcoólica ajuda a curar a ressaca não só é falsa, como é o primeiro passo para o alcoolismo, adverte.

Cocaína e a heroína continuam a dominar o mercado da droga, indica o relatório de 2009 do Observatório Europeu.
O director do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), Wolfgang Götz, destacou hoje, quinta-feira, que os níveis de consumo de drogas mais tradicionais "permanecem elevados", mas estão "relativamente estáveis".
"Globalmente, não se observa um grande aumento na maioria das formas de consumo e, em algumas áreas, a tendência parece ser decrescente", salientou o responsável em Bruxelas, na apresentação do relatório.
A cannabis continua a ser "a droga ilegal mais frequentemente consumida na Europa", com 22,5 milhões de consumidores no último ano.
Mas os dados do OEDT "confirmam a queda de popularidade desta droga", em particular entre os jovens de 15 e 16 anos, tendência já verificada no relatório de 2008.
No entanto, "até 2,5 por cento de todos os jovens europeus" poderão estar a consumir aquela substância diariamente, "o que representa uma grande população em risco e eventualmente a necessitar de assistência".
"Evolução preocupante"
No que toca às drogas mais perigosas, o consumo de heroína continua a assinalar uma "evolução preocupante", refere o relatório, uma vez que o decréscimo de consumo verificado no início da década parece ter parado e as mortes por overdose aumentaram em 2007.
O Observatório estima que haja "entre 1,2 e 1,5 milhões" de consumidores de derivados do ópio na União Europeia, com a heroína a dominar.
De acordo com a informação prestada por 19 países, em 2007 houve um aumento de seis por cento na procura de tratamento por parte de viciados em heroína.
Em 13 países europeus, o número de mortes associadas ao consumo aumentou em 2007, depois de ter registado uma queda no início da década.
A cocaína, "o estimulante mais generalizado na Europa", é mais consumida nos países ocidentais da Europa: três milhões de europeus terão consumido no último ano, estima o relatório, que indica que em 2007, a droga provocou "500 mortes".
"A cocaína e a heroína continuam a dominar firmemente o mercado da droga europeu e há poucos indícios que mostrem melhorias no tocante ao seu consumo na Europa", destacou o director do Observatório.
A proibição de fumar nos espaços públicos é eficaz para reduzir o risco de ataque cardíaco e de doença cardiovascular ligada ao tabagismo passivo, confirma um relatório do Instituto americano de Medicina publicado quinta-feira.
Este estudo mostra que os não fumadores expostos passivamente ao fumo de cigarro, mesmo durante períodos relativamente curtos, estão mais sujeitos a ataques cardíacos.
"Não existe qualquer dúvida que a proibição de fumar funciona", destacou Lynn Goldman, professora de Ciências ambientais da saúde na faculdade de medicina Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, que presidiu à comissão de peritos que redigiu este relatório.
"As proibições de fumar reduzem os riscos de crise cardíaca em não fumadores assim como nos fumadores", sublinhou a especialista.
"Outras investigações podem explicar mais pormenorizadamente a amplitude da diferença entre os dois grupos e também como o tabagismo passivo produz os seus efeitos tóxicos", prosseguiu a professora.
Cerca de 43% das crianças, com idades até aos 18 anos, não fumadoras e 37% dos adultos que não fumam estão expostos ao tabagismo passivo nos Estados Unidos, segundo estatísticas federais.
Apesar das claras reduções da proporção de norte-americanos vítimas de tabagismo passivo durante vários anos, cerca de 126 milhões de não fumadores ainda continuavam expostos a esse problema em 2000, segundo este relatório.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1392679


"Queres speeds?" O rapaz tem pouco mais de 16 anos e sem esperar pela resposta desaparece no pinhal. A mesma pergunta poderia ter sido lançada noutro tempo, noutra festa. Nos anos 80, quando se 'speedava' ao som da new have ou do rock'and'roll, as letras das nossas canções preferidas entravam no corpo (com ou sem ajuda de substâncias ilícitas) e eram a matéria para a libertação do espírito e o veículo para a dança. Mas, na noite de sábado passado, numa tenda montada em pleno descampado da serra de Sintra, dançava-se trance, e ninguém canta ao som de trance.
A batida sincopada, pura e envolvente na sua frieza monocórdica, entranha-se até aos ossos. Da mesa de mistura do DJ israelita projectam-se sobre a pequena massa compacta fachos de luz esverdeada e ele dispara rajadas de ritmo sobre a pista. Parece controlar em absoluto os músculos dos corpos que vibram na tenda iluminada.
Tudo em redor é escuro. O cheiro a canabis confunde-se no cheiro a terra seca e mistura-se com a frescura do pinhal. Há um frenesim eléctrico de gente - a maioria jovens, a maioria rapazes - que se movimenta em pequenos bandos. Alguns trazem t-shirts penduradas ao ombro e o dorso nu, apesar do frio de cortar. Subitamente, três figuras fardadas avançam pelo recinto da festa. São militares que vigiam a mata. Vieram espreitar e trazem pistolas no coldre. Um deles carrega displicentemente uma G3, que, de vez em quando, segura nas mãos como se fosse disparar. Mas ninguém parece ligar, ou tão-pouco querer saber, de três militares que invadem uma free-party (festa organizada ilegalmente), algures do meio da serra de Sintra.
"Quando estou numa discoteca a passar música, sei olhar para o aspecto global do público e reconhecer que 90 por cento das pessoas estão sob o efeito de qualquer coisa. Consigo percebê-lo pela maneira como dançam e pela forma como estão totalmente receptivas e activas", explicava-nos há poucos dias Rui Miguel, DJ português, especializado em música electrónica e house progressivo. Tem 36 anos, trabalha nas pistas de dança desde os 18. Também ele é dado aos mais variados consumos de substâncias psico-activas: da cocaína ao ecstasy e seus derivados (vulgo pastilhas), até às ervas puras. "Heroína, não", ressalva. "Nunca experimentei. É uma droga muito decadente."
A cultura de noite está inequivocamente liga da ao consumo e à procura do prazer. Tem-se movimentado velozmente ao longo das últimas décadas e as drogas que lhe estão associados antecipam e projectam as novas formas sociais de estar de gerações em fúria de viver. As raves que surgiram nos anos 90 foram uma resposta à cultura da house, libertaram os amantes da música de dança e tomaram de assalto primeiro os espaços urbanos abandonados, depois as zonas fora da cidades. No início do movimento rave havia uma intenção de rasgar e quebrar a regra que não se prolongou na cultura da free-party, onde o espírito dominante é somente viver intensamente a festa, de forma livre e breve, usufruindo a música e a ligação ao corpo numa entrega absoluta ao prazer da dança.
Neste contexto, a palavra 'droga' fundiu-se com o termo 'lúdico' e, assim, entramos alegremente na era dos consumos recreativos. Os novos dependentes descartaram-se da carga negativa inerente à palavra toxicodependência. Hoje chamam-se consumidores.
"Atenção às palavras", alertava-nos Hélder Santos, responsável pela organização Conversas de Rua, há mais de 12 anos a trabalhar na noite. "Já não se usa falar de drogas leves e de drogas duras. Agora dizemos consumos legais e ilegais e o termo genérico passou a ser substâncias psico-activas."
Nesta mudança de paradigma está implícita toda uma nova forma de olharmos para o fenómeno. Explica Hélder Santos: "Quando, há cerca de 10 anos, os toxicodependentes saíram para a rua e apareceu a figura do arrumador, esta geração, que agora tem vinte e tal anos, interiorizou uma ideia de decadência associada à droga que não confere com a cultura generalizada que se observa nas drogas associadas à noite.
A maioria das pessoas que faz o culto da noite pratica uma variedade de consumos. O drogado down já era. Agora, as pessoas consomem e vivem o seu dia-a-dia sem terem sequer consciência se há ou não neste comportamento uma atitude de dependência. Tudo isto tem exclusivamente a ver com auto-imagem, performance e prazer."
(....)
Cocktail de Viagra e ecstasy
Fernando Mendes, psicólogo de Coimbra, presidente do IREFREA em Portugal - o instituto europeu que promove estudos sobre prevenção e comportamento de risco - conta uma história insólita: "Estava a fazer um estudo sobre o consumo de esctasy e foi-me dito que havia um grupo de jovens que consumia nas praias da zona de Leira. Teriam entre 15 e 19 anos. Quando falei com eles, percebi que as noites na praia eram concursos de sexo, jogos colectivos, com o objectivo de ver quem conseguia aguentar mais, variando de parceira, na mesma noite. Neste ritual, alguns deles faziam batota e tomavam drogas misturadas com Viagra."
Esta foi a primeira vez que o psicólogo se deparou com a prática do sextasy. Trata-se da ingestão de um cocktail explosivo, que associa o ecstasy (e mais recentemente a cocaína), ao Viagra, que também pode ser misturado com bebidas energéticas como o Redbull. Diz-nos o psicólogo: "Aquilo que para mim começou por ser um caso, ganhou visibilidade. Não posso dizer que seja um fenómeno muito generalizado, mas já tem alguma dimensão e revelou-nos um novo perfil de consumidores, para quem a diversão, a noite e a música estão associadas a uma vontade intensa de desejo sexual."
Neste perfil, inscrevem-se jovens e adultos, cujas idades podem variar entre os 20 e os 35 anos. "São jovens machos predadores, que associam o ecstasy, que proporciona uma sensação de relaxe, bem-estar e despertar dos sentidos ao Viagra, que lhes dá a ideia de uma performance sexual infalível. É um fenómeno transversal e interclassista e nem sempre está associado a dependência, mas que acarreta enormes comportamentos de risco, pois, neste estado, raramente se preocupam em usar preservativo" acrescenta o psicólogo.
Nos últimos anos, foram publicados inúmeros estudos sobre o consumo de Viagra entre uma população cada vez mais jovem, que toma o famoso comprimido azul associado a outro tipo de drogas para fins exclusivamente recreativos. Todos eles alertam para o perigo associado ao seu uso sistemático, pois pode causar danos irreversíveis no sistema límbico e provocar impotência.
"Droga e prazer estão intimamente ligados e sempre assim foi ao longo do tempo. Mas desde os anos 70 que temos vindo a sublimar uma cultura puramente hedonista. Toda esta generalidade de policonsumos ecstasy, derivados e todo o tipo de substâncias: cocaína, haxixe, erva, etc.), associados puramente à ideia de diversão, é um reflexo disso mesmo", afirma o mentor de Conversas de Rua.
A sua experiência ao longo destes últimos 12 anos a trabalhar sobre consumos recreativos leva-o a observar a mudança sistemática de consumos entre a população jovem. Com a divulgação acelerada de informação tudo é rápido, tudo compete. Via Net, podemos encomendar quilos de Viagra, saber exactamente todas as substâncias de que é composto um speed ou um ácido e fabricá-lo em laboratórios caseiros.
Nas suas incursões na noite, uma das perguntas que as equipas desta organização fazem aos jovens é: "Que droga pensas estar a consumir no próximo ano?" Esta indagação, permite-lhes fazer uma sondagem que lhes dá as pistas para perceber qual a nova psico-substância que irá ser posta a circular e, assim, trabalhar nos flayers que distribuem nos bares e nas festas.
"A droga que começou agora a dar é a ketamina. Um anestésico usado em medicina veterinária, que em contextos recreativos, e dependendo das doses, pode provocar uma combinação entre efeitos estimulantes, depressores e alucinogénios. Apresenta-se sob a forma líquida, em pó ou pode ser ingerida através de cápsulas", explica.
O lema da associação Conversas de Rua em relação à prevenção de drogas é apenas este: reduzir riscos, minimizar danos. O método que praticam baseia-se simplesmente em veicular informação sobre as várias drogas que circulam no mercado, alertar para os danos, distribuir preservativos, conversar com quem precisa e estar disponível para o talk down.
"No fim de uma noite de dança e de consumos há sempre muita gente perdida e exausta, que facilmente pode entrar em pânico." Num estudo sobre noite e cidades, recentemente publicado pelo IFRRA, os portugueses estão assinalados, a seguir aos espanhóis, entre todos os europeus os que mais horas saem à noite. Mas nos gráficos dos acidentes de viação e nas entradas das urgências dos hospitais, a associação ao consumo de substâncias psico-activas ainda está por fazer.
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/537982
O uso de canabinóides é a prática de doping com mais casos positivos verificados em Portugal em 2007 e em 2008, segundo dados estatísticos do CNAD.
Estamos a falar da marijuana e do haxixe, substâncias que podem alterar o rendimento dos atletas em determinadas modalidades em que o relaxamento é fundamental para um bom desempenho. Porém, nas práticas desportivas mais activas, o uso de canabinóides também é considerado doping, porque preenche dois requisitos inaceitáveis: lesa a saúde do atleta e belisca aquilo que se entende pelo espírito do desporto.
Os casos sucedem-se em várias modalidades e reportam-se a atletas juniores e seniores, levantando-se a dúvida de que o desporto, afinal, pode não tirar os mais jovens dos caminhos considerados desviantes. "Não se pode esperar que o contexto desportivo seja a panaceia para todos os males. O desporto, efectivamente, ajuda, mas não é remédio. Se calhar, não fosse a prática desportiva, havia mais jovens a fumar substâncias proibidas", explicou Ana Luísa Pereira, socióloga do desporto no FCDEF (Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física). "Provavelmente, muitos deles têm esse tipo de comportamento para mostrarem que já são adultos", completou a docente.
Quando um atleta utiliza canabinóides, e é apanhado num controlo antidoping, poderá ser punido com uma advertência ou uma pena de suspensão de um ano, de acordo com a nova legislação em vigor. "A advertência leva a que o atleta seja controlado durante seis meses e, se se verificar a presença da mesma substância, a pena é agravada", complementou Luís Horta, do CNAD. Tratando-se de uma segunda infracção, o praticante fica sujeito a uma pena de dois a quatro anos, como se pode ler no artigo 59 da Lei n.º 27/2009.
"Estamos muito preocupados com este caso, porque é um problema que tem aumentado nas nossas sociedades actuais e isso reflecte-se no desporto", confirmou.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1361115

O consumo de drogas em contextos festivos é de carácter recreativo, muito distinto dos padrões de consumo regular, mas já representa uma realidade que preocupa o Instituto da Droga e da Toxicodependência.
O consumo de anfetaminas e de alucinogénios, em Portugal, assume proporções semelhantes ao da heroína. A cannabis continua a ser o estupefaciente mais utilizado, mas o LSD e os cogumelos mágicos, assim como o ecstasy, são cada mais prevalentes, de acordo com o "Relatório Anual 2007 - a situação do país em matéria de drogas e toxicodependências", divulgado pelo IDT.
No período de 2001-2007, os alucinogénios, como o LSD e os cogumelos mágicos, registam claro crescimento entre os consumidores portugueses, quer considerando a população total (15-64 anos), quer os jovens adultos (15-34). Estes dados confirmam uma tendência, verificada pelo menos desde o início da década, de coexistência dos tradicionais de consumos de heroína, associados a contextos de marginalidade e exclusão, com novos padrões de consumo de estimulantes (cocaína e ecstasy) e de haxixe, sublinha, ao JN, João Goulão.
"Os festivais são representativos dessa tendência para o uso recreativo e circunstancial de substâncias com o objectivo de potenciar a diversão", acrescenta o presidente do IDT. Este tipo de consumo não se enquadra nos habituais rótulos de toxicodependência, o que não significa que a utilização de carácter recreativa seja isenta de perigos. "O maior é, sem dúvida, que ao brincar com a substância, se desenvolva a dependência e que a droga se transforme no centro de gravidade da vida dessa pessoa", alerta Goulão.
Os acidentes de viação, a violência e os comportamentos sexuais de risco, de que podem resultar gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis, são outras das consequências da utilização de psicotrópicos em cenários festivos. A intervenção do IDT, nestes contextos, "não é fácil", reconhece o responsável, que considera a a participação de jovens, numa estratégia de influência entre pares, como a via mais eficaz.
A mistura de vários produtos psicotrópicos é outro dos graves riscos associados ao consumo recreativo e representa também uma tendência já sinalizada desde 2003. O haxixe é substância ilícita mais frequente em cocktails de drogas, embora o álcool seja o pano de fundo da maioria dos consumos.
Os alucinogénios, como o LSD, estão fortemente associados à subcultura trance, como atestou a investigação conduzida por Maria do Carmo Carvalho. A autora refere, porém, que os eventos de música trance (como os festivais Boom, em Idanha-a-Nova, ou o recente Freedom, em Elvas) deixaram de ter "características underground para se transformarem em fenómenos de massa", onde a utilização de alucinogénios já pouco tem a ver com a proposta estética e cultural do movimento trance. "A intencionalidade perdeu-se e o perfil de utilizador alterou-se e é cada vez mais heterogéneo", sublinha a docente da Universidade Católica do Porto, actualmente a desenvolver uma investigação com o objectivo de caracterizar os consumos em contextos recreativos.
Helena Norte
Jornal de Notícias
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1334688
Vinte pessoas detidas e 30 identificadas, todas por posse e tráfico de estupefacientes, constituem o balanço do primeiro dia da operação que a Guarda Nacional Republicana (GNR) montou em torno do festival 'Andanças', que decorre até domingo na aldeia de Carvalhais, em S. Pedro do Sul.
À semelhança de anos anteriores os militares vigiam e fazem a manutenção da ordem nos acessos a este festival, que reúne milhares de pessoas na serra de S. Macário em torno da dança.
Ontem, quando começou o festival, a GNR «deteve 20 pessoas, entre os 18 e os 37 anos, por posse e tráfico de estupefacientes», disse ao DN o oficial de relações públicas da GNR de Viseu. Na operação a GNR «apreendeu heroína, cocaína, ecstasy, LSD, cogumelos alucinogénicos e centenas de gramas de haxixe», adiantou Marques Fernandes.
Foram ainda identificadas 30 pessoas «na posse de droga mas não em quantidade suficiente para presumir tráfico e que foram encaminhadas para as comissões de dissuasão da toxicodependência». Apreendidas ainda «somas consideráveis de dinheiro, telemóveis e um automóvel».
A Operação 'Andanças' envolve mais de uma centena de militares e decorre até domingo. O 'Andanças' é um festival de dança, onde as questões ambientais são uma preocupação. O objectivo é não produzir lixo, utilizando utensílios e materiais descartáveis. Este ano pretende-se atingir o "descartável-zero" nas louças.
http://www.destak.pt/artigos.php?art=37585
No mercado de drogas ilegais, as principais representantes do grupo das anfetaminas são a anfetamina e a metanfetamina (e respectivos sais) — duas substâncias sintéticas estreitamente relacionadas entre si e membros da família das fenetilaminas. Ambas as substâncias são estimulantes do sistema nervoso central, partilhando o mesmo mecanismo de acção e tendo efeitos comportamentais, tolerância, efeitos de abstinência e consumo prolongado (crónico) semelhantes. A anfetamina é menos potente do que a metanfetamina, mas em situações não controladas os efeitos são quase indistinguíveis.
Os produtos das anfetaminas e das metanfetaminas são sobretudo constituídos por pós, mas o "ice" (gelo), ou seja o hidrocloreto de metanfetamina, um sal puro e cristalino, também é consumido. Os comprimidos com anfetaminas ou metanfetaminas podem ter logótipos semelhantes aos observados nos comprimidos de MDMA e noutros comprimidos de ecstasy.
Em consequência das forma físicas em que se encontram disponíveis, as anfetaminas e metanfetaminas podem ser ingeridas, aspiradas, inaladas e, o que é menos comum, injectadas. Ao contrário do sal de sulfato de anfetamina, o hidrocloreto de metanfetamina, em especial na sua forma cristalina ("ice), é suficientemente volátil para ser fumado.
Fonte: EMCDDA drug profiles
http://www.emcdda.europa.eu/themes/drug-situation/pt/amphetamines




Os objectivos dos projectos são:
a) Aumentar os conhecimentos sobre o consumo de álcool e sexualidade responsável;
b) Promover a reflexão sobre as atitudes relacionadas com o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, os problemas associados como intoxicação grave, prática de sexo desprotegido e policonsumos;
c) Reduzir os danos associados ao abuso de álcool e relacionados com o sexo não protegido e a condução de veículos;
d) Promover escolhas livres e informadas, que visem comportamentos responsáveis do ponto de vista pessoal e social;
e) Divulgar os serviços de atendimento/aconselhamento a jovens em matéria de saúde sexual e reprodutiva, consumo de substâncias psico-activas e saúde mental;
f) Esclarecer os jovens no âmbito de temáticas específicas relacionadas com a sua saúde sexual e reprodutiva, a saber: infecção VIH/SIDA e outras IST’s; contracepção de emergência e interrupção voluntária da gravidez.
As actividades a realizar incluem:
a) Realização de Outdoor, para identificação do projecto e sensibilização para as actividades a decorrer durante a Semana Académica;
b) Formação de “educadores de rua”;
c) Disponibilização de um espaço de apoio e aconselhamento, da Unidade de Saúde Móvel, no Largo da Portagem, entre as 22h e as 3h00;
d)Iniciativas de aconselhamento em contexto recreativo a desenvolver por grupos de jovens, para a redução de consumos/danos, medições de taxa de alcoolemia e glicemia, aconselhamento sexual, disponibilização de preservativos e primeiros socorros;
e) Disponibilização da Unidade de Saúde Móvel, na Praça da República, entre as 14h30 e as 19h, de 1 a 8 de Maio, da responsabilidade do CAD Coimbra;
f) Existência de “educadores de rua” no recinto da Semana Académica, com vista à sensibilização na área do consumo abusivo de álcool e sexualidade.