sexta-feira, 29 de junho de 2012

Processos por venda e consumo de álcool a menores de 16 anos atingiram o mínimo em 2011

Os processos de contra-ordenação por violação da legislação que proíbe a venda e consumo de álcool a menores de 16 anos atingiram no ano passado o seu mínimo desde que esta competência pertence à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Foram abertos apenas 16 processos.

Nos seis anos desde que cabe à ASAE a fiscalização desta área, tem aberto mais processos de contra-ordenação por venda de álcool a menores de 16 anos, (foram 137 desde 2006, o que dá uma média anual de cerca de 23), no caso do consumo foram apenas 81 processos o que dá uma média de 13 por ano. Este ano, até Abril, foram abertos sete (cinco por venda, dois por consumo).

De acordo com os números fornecidos pelo organismo, nunca este número foi tão abaixo como no ano passado, tendo sido abertos apenas 16 processos (12 por venda e 4 por consumo), o máximo tinha acontecido em 2007, com 50 (31 por venda e 19 por consumo).

De acordo com o último Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco e Drogas, de 2011, feito junto de alunos do ensino público dos 13 aos 18 anos, 12,9% dos estudantes portugueses de 13 anos responderam ter consumido álcool nos últimos 30 dias, 8,4% já se tinham embebedado alguma vez na vida.

O director-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (ex-Instituto da Droga e da Toxicodependência), João Goulão, referiu já, em diversas ocasiões, que é preciso mudar a forma como é feita a fiscalização nesta área para a tornar eficaz, isto porque, actualmente, as autoridades só podem intervir quando há flagrante delito, ou seja, nada podem fazer quando vêem um jovem com menos de 16 anos de bebida na mão dentro de uma discoteca ou de um bar, só podem intervir quando as autoridades presenciam a venda e isso dificilmente acontece, nota.

Nas propostas de alteração à lei do álcool, que incluem a subida legal dos 16 para os 18 anos, isso estava previsto, refere o dirigente, mas desconhece o que vai ser aprovado, havendo o risco de a mudança de idade legal para beber pouco mudar se nada for feito para corrigir a ineficácia da fiscalização existente em relação à regra de lei dos 16 anos. Contactado pelo PÚBLICO, o assessor de imprensa do Ministério da Saúde diz que não há data marcada para as mudanças legislativas mas que a questão terá ainda de ir ao Parlamento.

Recorde-se que, no ano passado, o secretário de Estado adjunto e da Saúde, Leal da Costa, anunciou que finalmente – a medida tem sido preconizada por sucessivos governos – o aumento da idade legal para beber passaria dos 16 para os 18 anos e já em 2012, sendo supostamente apenas uma das medidas criada para desincentivar os jovens de beber.

Leal da Costa explicou, na altura, que além da “preocupação de saúde pública", a ideia era também acompanhar o que se passa a nível de outros países europeus em que só são permitidos a venda e o consumo a partir dos 18 anos. O governante, que é médico, afirmou que o facto de, neste momento, estar disponível a compra de álcool a menores de 16 "tem levado a que haja claramente abusos e, além do mais, também é sabido que o álcool é particularmente mais tóxico nas crianças e nos adolescentes do que nos adultos", tendo adiantado que a carga da doença associada ao álcool é "muito pesada", representando um custo superior a 200 milhões de euros por ano.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Consumo de droga no mundo

Cerca de 230 milhões de pessoas consomem drogas em todo mundo, e 27 milhões são dependentes de cocaína e heroína, revela a agência da ONU para as drogas e o crime, no seu relatório anual.

O diretor da agência, Yuir Fedotov, afirmou, na apresentação do relatório, que "a heroína, cocaína e outras drogas continuam a matar cerca de 200 mil pessoas por ano", contribuindo também para o aumento da insegurança e para a disseminação do VIH.

O canábis continua a ser a droga mais "popular", com um número de consumidores que pode atingir 220 milhões e um aumento da produção da forma herbácea da droga, a marijuana, na Europa.
A resina de canábis, vulgarmente conhecida como haxixe, vem principalmente do norte de África e é consumida maioritariamente na Europa, mas o Afeganistão começa a impor-se como país fornecedor do mercado europeu, com o canábis a transformar-se no cultivo mais lucrativo naquele país.
Esta é uma conclusão apoiada pelo relatório do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT), cujo diretor, Wolfgang Götz, disse à agência Lusa que o aumento da produção doméstica na Europa diminui os riscos para os produtores, que não têm tantos problemas em fazer circular a droga.
A esta produção "caseira" associam-se "violentos grupos de crime organizado", referiu, indicando que as polícias europeias estão cada vez mais bem equipadas para detetar estas explorações, normalmente situadas em "zonas industriais ou agrícolas abandonadas", e quase sempre detetadas pelos consumos elevados de água ou eletricidade, usados no cultivo intensivo.

No relatório, destaca-se o aumento de produção de ópio no Afeganistão, com mais de 80% da produção mundial em 2011 concentrada naquele país, onde se tinha registado uma quebra acentuada em 2010, devido a doenças das plantas.
Em 2011 produziram-se no Afeganistão 5800 das sete mil toneladas a nível mundial, um aumento de 61% em relação ao ano anterior. Birmânia, com 610 toneladas, e Laos, com 25 toneladas, são outros dos maiores produtores mundiais de ópio.
A ONU conclui que o consumo de opiáceos na América do Norte e na Europa está estável ou a decair, mas quanto à África e Ásia, onde são consumidos cerca de 70% dos opiáceos, não há dados que permitam tirar conclusões.

Quanto à cocaína, no relatório coloca-se o número de consumidores entre os 13,3 e os 19,7 milhões, sobretudo na Europa, América do Norte e Austrália, onde o consumo sobe.
A oferta mundial de cocaína proveniente da Colômbia desceu com a diminuição da área de cultivo de 2007 para 2010, mas a produção deslocou-se para a Bolívia e Peru.
As anfetaminas e estimulantes análogos, "o segundo tipo de droga mais utilizada no mundo", viram o consumo estabilizar e as apreensões aumentar, com 45 toneladas de meta-anfetaminas apanhadas pelas autoridades em 2010 (mais do dobro do que se verificou em 2008), e 1,3 toneladas de Ecstasy (em 2009 foram apreendidos 595 quilogramas).
Yuri Fedotov apelou aos países produtores e consumidores para participarem na luta "contra este flagelo", alertando que o consumo "provavelmente irá aumentar à medida que os países em desenvolvimento começarem a imitar o estilo de vida das nações industrializadas".
"Atualmente, apenas cerca de um quarto de todos os agricultores envolvidos em culturas de drogas ilícitas, em todo o mundo, têm acesso à assistência para ao desenvolvimento. Se quisermos oferecer novas oportunidades e alternativas genuínas, isto precisa de mudar", defendeu.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Novo método português detecta drogas em minutos e com amostras mínimas

Drogas legais, muitas vezes confundidas ou ocultadas com embriaguez provocada pelo álcool, podem agora ser detectadas em minutos e com amostras mínimas, graças a um novo método criado pela Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã.
O processo está a ser desenvolvido no Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS) da UBI para detectar piperazinas, comprimidos alucinogénos vendidos em lojas e na Internet, e a partir deste mês passará a detectar drogas legais baseadas em extratos de plantas.

Vai também passar a ser possível realizar a análise a partir de saliva ou em cadáveres, para além das análises actualmente feitas em urina, explica a investigadora Eugénia Gallardo, orientadora do trabalho de Ivo Moreno e Beatriz Fonseca, alunos de bioquímica.

A facilidade de acesso às drogas e a sua rápida disseminação no espaço europeu incentivaram Ivo Moreno a desenvolver um processo que considera útil e que, no limite, pode salvar vidas. A rapidez dos resultados pode ajudar em situações “de intoxicação, em hospitais, ou pode ajudar outras autoridades, em detenções ou acidentes rodoviários”, exemplifica o aluno.

O trabalho foi premiado pela Polícia Judiciária e Universidade de Coimbra no início do ano e, no próximo mês, vai ser apresentado no 22.º Congresso da Academia Internacional Medicina Legal, em Istambul, na Turquia.

O que distingue o método inventado na Covilhã é o facto de usar um dispositivo difundido no final da última década de “microextração de amostras em seringa empacotada”.

Trata-se de um tipo de seringa “dirigido para análises ambientais e que tinha pouca utilização em toxicologia clínica e forense”, até que a equipa do centro de investigação da UBI se cruzou com ele em trabalhos de pesquisa. A partir daí, “resolvemos apostar na sua utilização, sem saber à partida qual seria o resultado, e correu bem”, destaca Eugénia Gallardo.

Graças à microextração, o processo de detecção de drogas necessita apenas de cerca de 100 microlitros de urina para em 15 minutos, ou até menos, revelar através de gráficos no ecrã de um computador se há presença de drogas ou não.

A investigação do CICS decorre em parceria com o Serviço de Toxicologia Forense do Instituto Nacional de Medicina Legal - Delegação do Sul. Para já, o método está em aplicação nos laboratórios do centro de investigação, na Covilhã, onde está a ser aperfeiçoado, mas “está publicado e aberto à utilização de quem necessitar”, destaca Eugénia Gallardo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Adolescentes Portugueses consumo de tabaco, álcool e drogas

Adolescentes portugueses na média europeia no consumo de tabaco, álcool e drogas É o que demonstram os resultados que constam do Relatório Europeu que apresenta as prevalências e os padrões de consumo das diversas substâncias psicoactivas, em 2011, entre os adolescentes de 39 países. O estudo é divulgado esta quinta-feira. As principais conclusões apontam para a estabilidade na maioria dos países, excepto no caso dos inalantes. A Islândia, Albânia, Bósnia, Moldávia e Montenegro apresentam valores mais baixos; a Polónia e Portugal mantêm-se na média europeia e a República Checa, Estónia, França, Letónia, Mónaco e Eslovénia apresentam-se com os valores mais elevados. Este estudo – intitulado European Scholl Survey Project on Alcohol and other Drugs /2011 - ESPAD – apresenta a evolução dos consumos dessas substâncias desde 1995, por país e globalmente. Em Portugal, o estudo foi apoiado pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT)/Ministério da Saúde e Ministério da Educação. O objectivo consiste em acompanhar a evolução dos consumos de álcool, tabaco e outras drogas entre os adolescentes que frequentam escolas públicas e que completam 16 anos no ano em que o estudo decorre. Dois mil inquiridos Segundo Fernanda Feijão, a coordenadora nacional do ESPAD, a recolha de dados em Portugal decorreu imediatamente a seguir às férias da Páscoa e a amostra é de dois mil alunos. Os principais indicadores analisados foram as prevalências de consumo do tabaco e de álcool nos últimos 30 dias; as prevalências de consumo intensivo episódico de álcool nos últimos 30 dias; o volume de álcool puro consumido no último dia; as prevalências ao longo da vida de cannabis e de outras drogas e as prevalências ao longo da vida de medicamentos e de inalantes. Destes indicadores, em Portugal registaram-se aumentos relativos ao tabaco, drogas e inalantes – como refere um estudo anterior apresentado em Novembro de 2011 – e estabilidade ou decréscimo nos indicadores do álcool. A análise europeia dos resultados tem em conta a entrada, em 2011, de países do sudeste da Europa e de países da região dos Balcãs e a saída de alguns países da Europa ocidental que tinham consumos elevados, o que fez com que as médias europeias tenham baixado. A posição de Portugal e de outros países que costumavam estar abaixo da média, aproximou-se assim da média. Portugal destaca-se agora com melhores resultados em comparação com os restantes países que, em 1995, apresentavam valores próximos. No que respeita ao álcool, os resultados indicam que Portugal está a par da Itália e dos países de Leste. “Temos muitos consumidores, mas o padrão de consumo é menos intenso do que o dos países do norte da Europa”, explica Fernanda Feijão. Nesses, há uma menor percentagem de consumidores. Contudo, são os campeões no que respeita ao consumo do álcool puro, como mostram os resultados do inquérito. Porém, os países do sul da Europa dominam na resposta relativa à percentagem de pessoas que se embriagam nos últimos 30 dias. Quanto ao consumo de cannabis, de longe a droga ilícita mais usada, Portugal ocupa uma posição ligeiramente acima da média, registando-se um valor elevado quanto ao consumo de anfetaminas. O consumo de tranquilizantes adquiridos sem receita situa-se dentro da média relativamente aos outros países, segundo o mesmo estudo. Menos a experimentar Considerando o período compreendido entre 1995 e 2011, os dados disponíveis indicam que o maior aumento de consumo de álcool se observou na Croácia, Hungria, Eslováquia e Eslovénia, tendo havido uma redução em países como a Islândia, a Finlândia e a Ucrânia. O aumento do consumo de cannabis foi registado na República Checa, Eslováquia, e Estónia, tendo diminuído na Irlanda e no Reino Unido. Estes dois países registaram igualmente assinaláveis decréscimos no consumo de outras drogas ilícitas, além da cannabis. Em Novembro passado, os resultados do estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco e Drogas por Alunos das Escolas Públicas Portuguesas realizado pelo IDT revelavam que havia “menos alunos a experimentar mas os que já experimentaram consomem mais vezes, em maiores quantidades e bebidas com maior teor alcoólico”, segundo a responsável pela investigação, Fernanda Feijão. O mesmo se constatava quanto aos consumidores de tabaco: “menos consumidores experimentais (ao longo da vida) mas mais consumidores actuais (nos últimos 30 dias)”. Jornal Público 31.05.2012 Por Paula Torres de Carvalho http://www.publico.pt/Sociedade/adolescentes-portugueses-na-media-europeia-quanto-ao-consumo-de-tabaco-alcool-e-drogas-1548327?p=1

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Consumo diário de bebidas energéticas e isotónicas destrói os dentes

O consumo regular de bebidas energéticas ou isotónicas destrói o esmalte dos dentes, o que os pode escurecer de forma irreversível, conclui um estudo científico realizado nos Estados Unidos. 

A acidez desse tipo de bebidas, (...), ataca o esmalte dos dentes, bastando, nalguns casos, o consumo cinco dias consecutivos para que a dentição comece a deteriorar-se, indica a investigação realizada na Universidade de Southern Illinois.
Os autores do estudo analisaram 13 bebidas isotónicas e nove bebidas energéticas, concluindo que os níveis de acidez variam até na mesma marca, em função dos diferentes sabores.
Embora a acidez exista em muitos alimentos e noutras bebidas que ingerimos, esse tipo de bebidas, tal como sucede com as açucaradas, como os refrigerantes, destroem o equilíbrio que é mantido pela saliva.
"Se o equilíbrio se mantiver, não teremos grandes problemas ao longo dos anos. O problema é quando a tendência é maior para o lado da desmineralização" e a saliva não consegue compensar o efeito da acidez sobre o esmalte, explicou à agência Lusa o professor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto Mário Jorge Silva.
Além de escurecer os dentes de forma irreversível, pela perda de esmalte que não pode ser reposto, o excesso de acidez aumenta a sensibilidade dentária.
O estudo conclui que embora os dois tipos de bebidas tenham elevados graus de acidez, as energéticas são ainda mais nefastas por terem o dobro dos ácidos das isotónicas.
Um gesto que agrava mais o efeito da acidez é escovar os dentes para "limpar" os dentes desse efeito.
Como o esmalte está afetado, a passagem da escova vai removê-lo de forma irremediável, pelo que o dentista Mário Jorge Silva recomenda que depois de ingerir alimentos ou bebidas ácidas deve-se aguardar umas horas para possibilitar o efeito regenerador da saliva, antes de usar a escova.
Desconhece-se a existência de estudos atuais sobre o consumo deste tipo de bebidas em Portugal, mas nos Estados Unidos, entre 30 a 50 por dos adolescentes consomem regularmente bebidas energéticas e isotónicas e destes 62% admitem beber pelo menos uma dose por dia.
O docente de medicina dentária afirma, com base na observação dos pacientes que passam pela sua cadeira, que tem aumentado significativamente o número de pessoas com menos de 30 anos e com a dentição sem esmalte, realidade que atribui ao consumo de bebidas ácidas em grandes quantidades ao longo de todo o dia, incluindo aqui também os refrigerantes.


Donos de discoteca condenados por permitirem entrada a menores de 16 anos

Os proprietários das discotecas Absoluto e ABS Privado, que funcionavam em Lisboa, foram condenados pelo Tribunal de Pequena Instância Criminal a pagar uma multa de 800 euros, por terem permitido a entrada e o acesso a bebidas alcoólicas a 11 jovens menores de 16 anos.
O caso remonta a 6 de Fevereiro de 2010 - entretanto as discotecas já fecharam -, em que numa acção de fiscalização conjunta das autoridades (entre elas a PSP e as Finanças), realizada às 3h30, foram identificados 11 menores na discoteca Absoluto, situada no n.º 15 da Rua Dom Luís I, no Cais do Sodré.

De acordo com uma nota divulgada nesta quinta-feira no site da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL), ficou provado que “a discoteca permitiu a entrada, permanência nas suas instalações e o acesso a bebidas alcoólicas” daqueles menores, “violando as regras legais em vigor”.

A sentença do tribunal confirma a decisão da Comissão de Coimas em Matéria Económica e de Publicidade, de Junho de 2011, que foi alvo de recurso por parte do advogado dos proprietários, Luís Pedro. O representante diz que vai recorrer desta sentença.

Segundo o advogado, “a discoteca fazia a identificação dos clientes à entrada” mas “muitos jovens falsificam documentos para entrar nestes espaços”, argumenta. Os proprietários do espaço só foram notificados da contra-ordenação em Novembro de 2010 e “por essa altura já tinham sido destruídas as imagens das câmaras de vigilância interiores e exteriores, como está na lei”, afirma, argumentando que por isso não foi possível provar que a regra da identificação foi cumprida.

De acordo com Luís Pedro, o processo tinha outra parte sobre o alegado excesso de clientes no espaço, cuja lotação total – das duas discotecas, que eram contíguas – era de 1200 pessoas. “Esta parte foi arquivada, porque as versões dos polícias ouvidos no julgamento contradizem o que está nos autos”, afirma o advogado.

Luís Pedro critica a forma com o processo foi conduzido: “A 23 de Setembro de 2011 recebi uma carta do tribunal a pedir para os proprietários se conformarem com a decisão e pagarem a multa. Eu soube logo da sentença do juiz através dessa carta, apesar de o julgamento só ter acontecido na segunda-feira." E prossegue: “Não digo que haja uma perseguição, mas há alguma necessidade por parte das autoridades de apresentarem trabalho.”

Segundo a Associação Nacional de Discotecas, a condenação pelo tribunal ao pagamento efectivo de coimas por infracções desta natureza é, no mínimo, pouco frequente. “Que eu saiba, é a primeira vez que existe uma condenação. Geralmente, há chamadas de atenção por parte da IGAC [Inspecção-geral das Actividades Culturais] e dos agentes de autoridade”, refere o presidente da associação, Francisco Tadeu.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Número recorde de novas drogas descobertas na Europa em 2011

O número de novas drogas descobertas pelas autoridades na Europa foi novamente o maior de sempre no ano passado, com 49 novas substâncias, revelou o relatório anual do Observatório da Droga e da Toxicodependência.

É o maior número de novas substâncias psicoativas detetadas através do sistema europeu de alerta num único ano, batendo o recorde de 41 atingido em 2010, refere o Observatório da Droga e da Toxicodependência (OEDT).
O aumento verifica-se no campo das drogas vendidas em lojas e através da Internet e publicitadas como "legais".
"A velocidade a que as novas drogas aparecem no mercado desafia os métodos estabelecidos de monitorização, resposta e controlo do uso de novas substâncias psicoativas", alerta o OEDT no relatório.
Pós, comprimidos e misturas
Das 49 novas substâncias, 23 são canabinóides sintéticos, que se popularizaram nos últimos anos muitas vezes sob a designação de "Spice", um produto vendido através da Internet e em "smart-shops" especializadas e embalado como mistura herbal para ser usada como ambientador.
Fumados, produzem efeitos semelhantes ao cannabis. O relatório do Observatório indica taquicardia, agitação, alucinações, hipertensão e náuseas como efeitos secundários registados após o consumo de produtos tipo "Spice".
O diretor do OEDT, Wolfgang Götz, afirmou que estas novas drogas são vendidas numa "crescente variedade de pós, comprimidos e misturas" a pessoas que "estão a jogar um perigoso jogo de roleta", sem saber exatamente o que estão a consumir.

Internet "abusivamente utilizada" por redes criminosas
Quanto a Rob Wainwright, diretor da Europol, afirmou que "a Internet está a ser abusivamente utilizada pelas organizações criminosas" e defendeu que as agências policiais têm que ter "modernos meios operacionais e legislativos" para as combater.
O OEDT assinala que não há números fiáveis que deem a dimensão exata do uso deste tipo de substâncias entre a população europeia.
Segundo os números do Eurobarómetro de 2011, em que foram entrevistados 12 mil jovens entre os 15 e os 24 anos, 5% afirmaram ter consumido drogas sintéticas publicitadas como legais.
Nos canabinóides descobertos em 2012 regista-se um "aumento de número e diversidade", com cinco tipos de produtos químicos novos, fixando-se agora em 45 o número de canabinóides sintéticos conhecidos.
O OEDT monitoriza constantemente a Internet, veículo privilegiado para a venda destas substâncias e registou um aumento de lojas "online" que as comercializam: de 170 em janeiro de 2010, o número subiu para 690 em janeiro deste ano.
Os "euforizantes legais" ou "químicos para efeitos de pesquisa", como são vendidos, são um "fenómeno global que cresce a um ritmo sem precedentes", indica o OEDT no relatório.
Entre as novas substâncias descobertas no ano passado estão também variantes das catinonas como a mefedrona - uma substância análoga às anfetaminas conhecida como "miau miau" e acrescentada este ano à lista de substâncias proibidas em Portugal.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2442003&page=-1

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Portugal foi um dos cinco países onde subiram mortes na estrada devido ao álcool

Portugal foi um dos cinco países da União Europeia onde as mortes na estrada em consequência da ingestão de bebidas alcoólicas aumentaram entre 2001 e 2010, indica um estudo divulgado, esta segunda-feira, em Bruxelas.


Os dados, recolhidos pelo Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC), indicam que em Itália, Chipre, Israel, Portugal e Roménia houve um aumento das mortes na estrada motivadas pelo excesso de álcool, ao passo que nos restantes 22 Estados-membros da UE o aumento foi menor quando se analisa a alteração percentual média entre os anos de 2001 e 2010. 

O ETSC, organização independente sem fins lucrativos sedeada em Bruxelas, recorda que a Europa é o continente onde maiores excessos relacionados com o consumo de álcool sucedem e onde um quinto da população adulta tem "momentos constantes de excesso de consumo".
A organização estima que 6500 das 31 mil mortes registradas em 2010 poderiam ter sido evitadas se os limites de consumo de álcool tivessem sido respeitados pelos condutores europeus. 

República Checa, Irlanda, Noruega e Suécia são casos considerados exemplares no espaço europeu, com políticas de prevenção que devem ser tidas em conta por outros Estados-membros, sublinha a ETSC.

(...)
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2436944

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Novas drogas preocupam médicos

A droga ‘Miau miau’ (mefedrona) foi proibida em Portugal há menos de três semanas, mas já estão à venda substâncias alternativas que produzem os mesmos efeitos. O consumo destes produtos – comercializados como ‘fertilizantes’ em  smart shops  _– está a preocupar os especialistas e já levou aos hospitais dezenas de utilizadores com surtos psicóticos.
A mefedrona – que foi associada a pela menos quatro dezenas de mortes no Reino Unido e na Irlanda – tem efeitos semelhantes aos da cocaína ou ecstasy e desde 2010 que havia uma recomendação para a sua proibição pela Comissão Europeia.
Há menos de 20 dias, a droga passou também a integrar a lista de substâncias proibidas em Portugal, a par da heroína ou da cocaína.
«A proibição é um claro sinal de que esta substância traz riscos. Mas já há substitutos da mefedrona a circular» , alerta João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências.
O especialista reconhece que mesmo com fiscalização há grandes dificuldades em controlar este mercado. «Estão constantemente a ser lançadas novas substâncias, com ligeiras alterações moleculares para produzirem os mesmos efeitos», o que torna também difícil controlar o seu consumo e sobretudo avaliar os riscos para a saúde destas novas substâncias.
«É um constante jogo do gato e do rato» , resume João Goulão.
Os efeitos de euforia da mefedrona são semelhantes aos da cocaína. E são idênticos aos dos produtos que, desde há cerca de um ano, começaram a ser vendidos em algumas smart shops portuguesas e que, segundo os rótulos, não contém mefedrona. Algumas tinham mesmo uma etiqueta colorida garantindo que não continham esta substância.
«Estas drogas têm efeitos semelhantes à cocaína mas são muito mais baratas» , diz Pedro, que era consumidor de mefedrona e agora compra pacotinhos semelhantes, mas que já não contém a substância proibida. Cada pacote de Bloom , um grama, custa numa smart shop do Bairro Alto, em Lisboa, 36 euros. Um meio grama não chega a 20 euros e aos iniciados é suficiente para garantir «uma moca» durante várias horas, explica outro consumidor.
As lojas estão abertas de manhã à noite. Todos os produtos vendidos são lícitos e portanto podem ser consumidos em qualquer local. «Hoje é fácil comprar drogas lícitas, há lojas em todo o lado, abertas a toda a hora e até têm serviço de estafetas», diz Pedro.
Crises psicóticas e casos de ansiedade
Mas as crises de ansiedade e alucinações provocadas pelo consumo de ‘fertilizantes’ alternativos à mefedrona estão a deixar preocupados os médicos que combatem o consumo de drogas.
No início do Outono, uma série de doentes com crises psicóticas começaram a chegar às urgências do Hospital de Faro. Tinham sintomas paranóides: ansiedade, sensação de perigo e de estarem a ser perseguidos.
«Eram pessoas jovens com episódios de crise psicótica e que tinham consumido drogas legais» , explica Norberto Sousa, coordenador da Equipa Técnica Especializada de Tratamento da Toxicodepedência do Sotavento algarvio.
«O que nos chamou a atenção foi o número de casos – cerca de uma dezena – tão concentrados no tempo. Foram atendidos em apenas um mês e meio e foi por isso que alertamos os serviços centrais» , diz o responsável, adiantando terem fortes suspeitas de intoxicação com substitutos de mefedrona, eventualmente combinados com outras substâncias.
A maioria destes doentes eram jovens _- os principais consumidores destas drogas. Mas não só. «Os casos que conheço são de poli-consumidores de drogas, já com 40 anos» , diz o médico.
«Como estas drogas são mais baratas e têm efeitos semelhantes aos da cocaína, que é cara e má no Algarve, estes toxicodependentes começaram a experimentar », justifica.
O especialista diz que estas drogas legais têm efeitos semelhantes a estimulantes como o LSD, mas mais preocupantes: «As alterações do humor são mais acentuadas do que com as drogas clássicas: muita ansiedade, muitas crises de insónia» .
A proibição da mefedrona terá feito os consumidores virarem-se para outros ‘fertilizantes’ e trouxe ao mercado novos produtos. « São substâncias menos conhecidas e com efeitos menos previsíveis» , diz o médico.
O administrador das duas smart shop Magic Mushroom, em Lisboa, garante, porém, que os produtos que comercializa são todos livres de mefredona e que a sua substituição começou no início do ano passado, muito antes de a droga ser proibida. «Não substituímos a mefredona por nenhuma substância, nem temos conhecimento de qualquer queixa em relação a estes produtos» , disse Helder Pavão.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Consumo de álcool pode aumentar doenças hepáticas entre os jovens

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado receia um aumento das doenças hepáticas por álcool em pessoas jovens dentro de uma década devido ao consumo "cada vez mais precoce e intenso". 
"O consumo cada vez mais precoce é um problema que tem sido um pouco esquecido, tememos que, num futuro próximo, uma década, se venham a notar mais casos do que o habitual de doenças hepáticas graves em pessoas relativamente jovens, na casa dos 30 anos", alertou Armando Carvalho, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF).
Armando Carvalho falava à Lusa a propósito da 15.ª reunião anual da APEF e da 2.ª Reunião Luso-Brasileira de Hepatologia, que decorrem sexta-feira e sábado, em Coimbra.
O especialista manifestou-se preocupado com o consumo de álcool "mais intenso e pesado" entre os adolescentes, que "correm muito mais riscos, e mais precocemente, de virem a ter uma doença hepática grave".
"Antigamente, via-se muito pessoas ainda em idade jovem com problemas hepáticos graves devido ao consumo de álcool, mas nas aldeias. Tememos que agora comecem a surgir em pessoas de outro nível, jovens universitários", referiu.
Armando Carvalho defende, por isso, que "seria muito importante que fosse realizada uma forte campanha nacional para prevenir o consumo de álcool entre os jovens".
Numa entrevista à Lusa, domingo passado, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, admitiu que tem "falhado tudo" para desincentivar os jovens do consumo de álcool e defendeu a realização de uma campanha que envolva a escola, a família e os serviços de saúde.
Em declarações à Lusa, o presidente da APEF explica que as cirroses (doença grave irreversível do fígado) surgem "dez a 20 anos após o consumo excessivo de álcool e estimativas por baixo (defeito) apontam para que em Portugal uma em cada cinco pessoas consome álcool em níveis que podem ser perigosos para o fígado (a partir de 30 a 40 gramas por dia)".
"Não é preciso haver um aumento do consumo de álcool associado à crise que o país atravessa para que seja um problema em Portugal", considerou o especialista.
Estima-se que em Portugal "dois milhões de pessoas consomem álcool em quantidades perigosas, meio milhão são alcoólicos e, destes, 20 por cento acabarão com uma doença grave do fígado", alertou.
Armando Carvalho aponta "todo um negócio à volta da juventude, da noite, em que o ambiente é propício a consumos elevados de álcool" e adverte que, "se não houver fiscalização adequada, o aumento da idade legal para o consumo, de 16 para 18 anos, pode ter um impacto reduzido".
A cirrose hepática é apontada, sublinha a APEF, como a décima causa de morte em Portugal, sendo causada maioritariamente (70 a 85 por cento dos casos) pelo consumo de álcool.
"Ao contrário do que acontece com a diabetes e a hipertensão, não há um plano nacional de saúde dirigido às doenças do fígado, nem sequer à doença hepática do álcool", critica o especialista.
Outras das doenças em discussão no encontro são as hepatites víricas, a "B" e a "C", esta última para a qual existem dois medicamentos novos que aguardam a entrada no mercado português.
"São dois medicamentos bastante caros, que terão um acréscimo no custo do tratamento bastante significativo, 20 mil a 25 mil euros por doente, mas que aumenta a eficácia do tratamento da Hepatite C de quatro para sete em cada dez doentes", precisou.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2412743&page=-1

quarta-feira, 28 de março de 2012

Portugal entre os dez países da Europa com maior consumo de álcool

Continente europeu continua a liderar o consumo mundial de álcool, com uma média anual de 12,4 litros por habitante. Em Portugal, a média é de 13,4 litros, revela um relatório da Organização Mundial de Saúde.

Numa lista de 34 países da Europa, Portugal surge no nono lugar no que se refere à média anual de consumo de álcool puro per capita, com 13,43 litros. Esta é uma das leituras mais imediatas que se podem fazer aos dados revelados ontem no relatório Álcool na União Europeia, da Organização Mundial de Saúde, com o patrocínio da Comissão Europeia.

Os mapas e gráficos mostram também que Portugal é um dos países com maior número de acidentes na estrada que envolvem álcool e que é um dos poucos (no total, são cinco, numa lista de 29 países) a autorizar a venda de álcool a menores de 18 anos. Curiosamente, Portugal mostra ainda ser um dos países com mais abstémios, o que pode indicar que os que bebem, bebem muito.

O título do comunicado que resume o relatório da OMS divulgado ontem é revelador do padrão europeu: "Os adultos na Europa consomem três bebidas alcoólicas por dia". As contas são simples: uma média de 12,5 litros de álcool puro por ano é o equivalente a 27 gramas por dia, o que, por sua vez, é o equivalente a três bebidas por dia. O documento avalia os consumos, mas realça sobretudo os efeitos do álcool na saúde dos europeus (há mais de 40 problemas de saúde associados e um em cada dez cancros nos homens está relacionado com o álcool), concluindo que é possível evitá-los.

Entre as múltiplas estratégias para minimizar os inúmeros estragos provocados pelo álcool (nos próprios ou em terceiros), aponta-se para a necessidade de dificultar o acesso dos mais jovens às bebidas. Neste preciso ponto - e apesar da intenção manifestada pelo Governo de aumentar para os 18 anos a idade mínima - Portugal permanece num restrito grupo de quatro países (entre 29) que mantém os 16 anos como idade-limite para a compra de álcool (Malta colocou o limite dos 17 anos), independentemente de se tratar de cerveja, vinho ou bebidas espirituosas e do local de venda.

O secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, reafirmou este mês a vontade de legislar de forma a proibir a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. Já o tinha feito em Novembro do ano passado, mas sem adiantar mais pormenores sobre esta medida, nomeadamente quando será aplicada e se abrange todos os tipos de bebidas alcoólicas e locais de venda. Ontem, o PÚBLICO tentou obter mais alguns pormenores sobre esta estratégia do Ministério da Saúde, mas sem sucesso.

Para já, sabe-se apenas que, além do aumento da idade-limite dos 16 para os 18 anos para a compra de álcool, o Governo quer também baixar a taxa de alcoolemia (de 0,5 para os 0,2 gramas de álcool por litro) para os recém-encartados e jovens. Em entrevista à Antena 1, Leal da Costa lembrou que "há dados que mostram que há sete vezes mais mortalidade em condutores, abaixo dos 20 anos, quando conduzem com 0,5 gramas quando comparados com 0,2 gramas". O governante falou ainda de uma forma vaga de um conjunto de "outras formas de motivar os jovens a beber menos".

O relatório divulgado ontem pela OMS valida esta estratégia anunciada pelo Governo e avança ainda com outro tipo de medidas capazes de fazer diminuir o consumo de álcool e, desta forma, minimizar os seus efeitos. Aumentar as taxas para fazer subir o preço das bebidas e regulamentar a publicidade são algumas das propostas. O relatório aponta ainda para a necessidade de monitorizar a eficácia das leis, tais como o limite de idade para a compra de álcool através de acções inspectivas que coloquem o sistema à prova.
 
De resto, sobre o retrato do álcool na Europa, a OMS revela que o consumo se mantém estável e que na Europa Ocidental e do Sul tem mesmo diminuído. Portugal surge no grupo da Europa do Sul, região que continua a ser excepção no mapa europeu, ao preferir o vinho à cerveja. No que se refere às mortes provocadas pelo álcool (um em cada sete homens e uma em cada 13 mulheres com idades entre os 15-64 anos morreram por causa do álcool), a Europa do Sul tem os valores mais baixos (uma taxa de 30 homens e 10 mulheres por 100 mil habitantes) perante uma média europeia que é de 57 homens e 15 mulheres. A maior nódoa de Portugal surge no capítulo dos acidentes na estrada que envolvem álcool, com o país a destacar-se entre os que têm piores resultados. Na análise dos abstémios, Portugal aparece com uma impressionante percentagem de 18,6% dos homens e 32% das mulheres, quando a média europeia se fica pelos 5,6% e 13,5%, respectivamente.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Estudo sobre comportamentos dos jovens

São os mais tristes, os mais irritados, dos que menos fazem exercício físico diário, dos que menos gostam da escola. São apenas exemplos de uma tendência que se repete: são os adolescentes alentejanos e algarvios os que tendem a apresentar mais comportamentos de risco, referem dados do estudo português sobre comportamentos em saúde de jovens em idade escolar (Health Behaviour in School-Aged Children), que é feito no âmbito da Organização Mundial de Saúde e em que participam mais 43 países.

À excepção da melhor comunicação com os amigos e menos lesões sofridas, é a sul do Tejo que estão os resultados mais negativos, admite Margarida Gaspar de Matos, a coordenadora do estudo que inquiriu uma amostra representativa da população nacional (e regional) de 5050 adolescentes portugueses dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, com uma média de idades de 14 anos.

Antes de mais, as boas notícias: comparando os dados deste estudo, cujo inquérito é de 2010, mas que já tinha sido feito em 1998, 2002 e 2006, constata-se que a saúde dos adolescentes tem vindo a melhorar desde 2002, o que se traduz na diminuição do consumo de tabaco, na sexualidade mais responsável, na diminuição da violência, no bem-estar físico e psicológico, na satisfação com a vida e na saúde oral.

Mas as respostas dos inquiridos de 2010 vistas à lupa dão conta de diferenças dentro do país que, defende a coordenadora, têm que ser tidas em linha de conta. Desde logo, no Alentejo há 11,3% de miúdos que dizem estar tristes ou deprimidos e 9,4% de algarvios que dão a mesma resposta. Em Lisboa esse valor é de 8,8%, no Norte de 8,2% e, no Centro, de 6,4%. O Alentejo e o Algarve são as duas regiões onde foram registados maiores índices de obesidade - 3,6% destes jovens estarão nesta situação, contra uma média nacional de 3,4% (era de 2,3% em 1998).

No consumo de substâncias, é no Alentejo que mais os adolescentes dizem ter ficado embriagados mais de dez vezes na vida (6,1%) e 5,8% reportam mesmo o consumo semanal de bebidas destiladas. No resto do país, estes números ficam em torno dos 2 a 3%. É também naquela região que há mais jovens (31,6%) a dizer que não gostam da escola (a média nacional é de 23,5%).

O estudo sinaliza o problema, mas não estudou as causas da concentração destes resultados nas duas regiões. Mas Margarida Gaspar de Matos, que é psicóloga, deixa algumas pistas. "Estas são regiões em que há menos jovens, estão mais espalhados e isolados", o que potencia efeitos de grupo. "Se há um grupo que adere [a um dado comportamento], é mais fácil criar uma moda de grupo - há menos espaço para a diferença".

As diferenças regionais encontradas são uma chamada de atenção para o facto de as medidas nesta área terem que ser pensadas localmente, o que passa pela "autonomia das escolas e a valorização das autarquias". "Uma boa solução para o Norte pode não ser uma boa solução para o Sul."

Há especificidades nas várias regiões. "O Norte tem, em geral, melhores resultados", mas, apesar de ter menos jovens que iniciaram relações sexuais (19,3% face aos 21,8% de média nacional), os que a iniciaram são os que menos dizem usar preservativo (79,1% face aos 82,5% em termos nacionais) e, por isso, estão em maior risco.

Educação Sexual traz ganhos

O Centro está melhor na prática de actividade física e pior na higiene oral e em Lisboa e Vale do Tejo há índices de obesidade menor, mas "há maior violência interpessoal". Por exemplo, são 7,3% os jovens desta região que dizem ter estado envolvidos em lutas no último ano, o valor mais alto no país, e 4,5% os que dizem ter provocado alguém na escola nos últimos dois meses anteriores ao inquérito (a média do país fica-se pelos 2,7%).

Em termos nacionais, Margarida Gaspar de Matos, que dirige a equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana e Centro de Malária e Doenças Tropicais, em Lisboa, sublinha que os adolescentes que mais tiveram Educação Sexual tendem a ser os que iniciam a sua vida sexual mais tarde e os que menos têm relações sexuais desprotegidas. "A Educação Sexual só tem vantagens", conclui. A maioria (65,9%) diz que os seus professores abordaram estes conteúdos nas aulas.

Dos alunos de 8.º e 10.º ano inquiridos, são 23,5% os que já iniciaram a sua vida sexual nunca tendo tido Educação Sexual, um número superior aos 20% de alunos da mesma idade que dizem tê-lo feito tendo tido contacto com aqueles conteúdos. Há uma diferença de três pontos percentuais no uso do preservativo entre os que tiveram Educação Sexual e os que não tiveram: 96% no primeiro caso e 93,1% na segunda situação. Os alunos que tiveram Educação Sexual revelam também menos comportamentos discriminatórios face a pessoas infectadas com VIH/sida. 

Por Catarina Gomes

quinta-feira, 15 de março de 2012

Estudo revela que stress na gravidez pode induzir toxicodependência nos filhos

O stress na gravidez torna o feto mais susceptível de desenvolver comportamentos aditivos e de toxicodependência na idade adulta, revela um estudo de um investigador da Universidade do Minho, distinguido com o prémio Janssen Neurociências, de 50 mil euros.
Português premiado por estudo que revela Nuno Sousa e a sua equipa partiram de estudos anteriores para tentar perceber os efeitos no feto de uma hormona (glucocorticoide sintético) que é libertada em resposta ao stress.
A investigação foi elaborada em ratos e concluiu que há "uma susceptibilidade para uma procura maior de drogas", afirmou à Lusa, acrescentando que "quando adultos estes animais, cujas mães foram tratadas com glucocorticoide sintético, têm maior propensão para o etanol e susceptibilidade para a morfina".
"Os estudos mediram a hormona responsável pelo prazer, a dopamina e verificou-se que estes animais, que tinham mais tendência para procura de substâncias aditivas, tinham menos dopamina no cérebro, mas mais receptores para a dopamina", explicou.
Ou seja, um tratamento na gravidez programou o cérebro dos fetos para ser mais susceptível a toxicodependências, sintetizou o investigador.
De seguida, a equipa tentou perceber como poderia reverter o problema da quantidade de dopamina e concluiu que tal era possível se o rato em causa fosse tratado previamente com a dopamina.
Apesar de as conclusões serem muito promissoras, nomeadamente para prevenir comportamentos aditivos nos jovens, a aplicabilidade clínica ainda está longe, reconhece o investigador, explicando que a fase seguinte será desenvolver a mesma investigação com humanos.
No entanto, afirma que "se se verificar [o mesmo resultado] nos humanos, o que podemos ter é que o indivíduo que tem maior susceptibilidade para aqueles comportamentos pode ser controlado.
Nuno Sousa exemplifica: "um adolescente vai a uma festa onde existem substâncias aditivas. Podemos prevenir [o consumo por parte do jovem] aumentando os níveis de dopamina no seu cérebro".

(...)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Anfetaminas


As anfetaminas são drogas estimulantes que prometem energia e aumento da capacidade de atenção e de memória. A Europa é o o maior produtor destes estupefacientes. São procuradas, em Portugal, pelos jovens estudantes como auxiliar de estudo. Cumprem a sua missão, mas por pouco tempo, provocando graves danos no sistema nervoso central.

“O cérebro pode recuperar, mas nunca volta a ser o que era antes do consumo”, avisa Teresa Summavielle, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto, que explicou ao P3 quais são os efeitos provocados por estas substâncias.

Os efeitos de concentração e atenção duram apenas cerca de uma hora, salienta a investigadora. Depois segue-se o inverso: “Passamos a ter as pessoas com um nível de ansiedade muito maior, muito mais irritáveis, começamos a ter uma capacidade de atenção mais perturbada”, sublinha.

Neurórios forçados a produzir "non-stop"
Atingindo o cérebro, as anfetaminas provocam a degradação das células, que vão perdendo energia e envelhecendo. A acção destas drogas envolve um neurotransmissor, a dopamina, associada ao prazer e à motivação, que é libertado, nestas situações, em grandes quantidades.

Estes comunicadores entre os neurónios no cérebro, após cumprirem a sua função, têm de voltar ao neurónio original. O que, sob acção das anfetaminas, não acontece. É bloqueado o sistema que as transporta e estas ficam presas entre os neurónios, desgastando a célula que tem de produzir mais dopamina.

“As células não estão programadas para estar sempre a produzir, mas sim para reaproveitar. Se as obrigarmos a estar constantemente a produzir neurotransmissores, as suas reservas esgotam-se”, explica a cientista, que fez uma investigação sobre o ecstasy, também ele uma anfetamina, mas que liberta, por sua vez, grandes quantidades de serotonina, substância associada ao bem-estar.

Drogas com mais influência no cérebro jovem
Mas não é só no cérebro que as anfetaminas actuam. Antes de chegarem ao sistema nervoso central, estas substâncias são transformadas, pelo fígado, em outros compostos químicos bastante tóxicos. As anfetaminas perturbam todo o organismo, podendo dar origem, por exemplo, a problemas cardíacos graves.

Num cérebro adolescente, ainda em formação, estas drogas podem ter maior influência, segundo explica Félix Carvalho, do serviço de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

Se consumidas regularmente, há ainda a “memória das drogas”, ou seja, estas substâncias modificam as estruturas cerebrais e os neurónios para promover o seu consumo, mesmo passados vários anos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Alto consumo de ansiolíticos representa perigo nas estradas portuguesas

Um estudo feito no âmbito do projecto europeu DRUID (Driving under the Influence of Drugs, Alcohol and Medicines) coloca Portugal em primeiro lugar, entre 13 países, em relação à quantidade de pessoas (2,73%) que conduz sob o efeito de benzodiazepinas, ou seja, de ansiolíticos. Este não é o principal problema do país, onde perto de 9% dos jovens condutores consomem álcool, mas deverá dar origem a novas orientações nas políticas de prevenção de acidentes rodoviários.

O relatório completo da investigação feita em Portugal por uma equipa do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) só será conhecido na próxima semana, em cerimónia organizada pelo Governo. Mas documentos com dados parciais permitem já extrair alguns dos dados mais significativos de um estudo que tem a particularidade de, pela primeira vez, fornecer informação sobre condutores não envolvidos em acidentes de viação e, também, de permitir compará-la com outros países europeus (Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Hungria, Holanda, Itália, Lituânia, Noruega, Polónia, República Checa e Suécia).

O estudo, desenvolvido pela Comissão Europeia, visa obter uma avaliação estatística fundamentada da prevalência do consumo de álcool, droga e fármacos nos diversos países da União Europeia e é considerado determinante para a definição de políticas de prevenção.

Elas preferem ansiolíticos

Em Portugal, particularmente, as operações rodoviárias de controlo dos níveis de álcool no sangue e de recolha de amostras de saliva foram realizadas por equipas do Instituto Nacional de Medicina Legal (com a colaboração das forças de segurança) e envolveram 3965 condutores, que participaram de forma voluntária e anónima. Entre Janeiro de 2008 e Junho de 2009, aquelas pessoas foram escolhidas de forma aleatória, em várias estradas nacionais. Mas tanto as áreas geográficas do país como as horas, bem como os dias da semana e os meses, foram fixados de forma a tornar a amostra representativa.

Em 10% do total de condutores portugueses foi encontrada pelo menos uma substância psicoactiva. As mais prevalentes foram o álcool (sozinho, em 4,93% dos casos; e associado a drogas, em mais 0,42%), as benzodiazepinas (em 2,73% dos condutores) e a THC, que é o princípio activo da cannabis (em 1,38% dos casos).

Duarte Nuno Vieira, director do INML, escusou-se a comentar os dados antes de eles serem tornados públicos pelo Governo. No entanto, ele próprio, na qualidade de investigador, foi um dos autores de artigos científicos sobre a condução sob o efeito de benzodiazepinas que defenderam a necessidade de um aconselhamento médico criterioso dos consumidores, por aqueles serem fármacos que têm como consequências a diminuição da atenção, da concentração, dos reflexos, da capacidade visual, da coordenação motora e do raciocínio.

O estudo vem mostrar que Portugal se destaca, precisamente, pela percentagem de condutores - 4,75% das mulheres e 1,68% dos homens - que conduz sob o efeito de ansiolíticos. Com uma particularidade: o consumo deste medicamento verifica-se especialmente entre as mulheres mais velhas, com 50 ou mais anos de idade (10,38%). O estudo permitiu ainda apurar que a prevalência de casos é de 4,58% aos sábados e domingos, 3,4 vezes maior do que nas noites dos restantes dias da semana (1,56%). Durante o dia, a variação é mínima entre o fim-de-semana (2,71%) e os restantes dias (2,73%).

Jovens lideram no álcool

No que respeita ao consumo de álcool - sempre privilegiado nas campanhas de prevenção rodoviária -, é a Itália que surge à cabeça do grupo (8,59%), seguido da Bélgica (6,42%), de Portugal (4,93%) e de Espanha (3,92%). Ainda assim, Portugal merece referências particulares, por o maior grupo de consumidores serem os jovens. Em concreto, verificou-se que, em média, a prevalência de álcool nos homens é de 6,21% e nas mulheres de 2,59%. No grupo de pessoas com idades entre os 18 e os 24 anos, contudo, os números saltam para 9,76% e 8,0%, respectivamente. É referido no estudo que se trata de uma excepção: na maior parte dos países, os condutores com álcool pertencem principalmente aos dois últimos grupos etários, entre os 35 e os 49 anos e os com 50 e mais anos. É destacada, ainda, outra particularidade: a prevalência do álcool, nos restantes países, é, em geral, mais baixa durante o dia, de segunda a sexta-feira. Em Portugal, a percentagem de condutores consumidores de álcool é mais alta durante o dia do que no período nocturno.

Em terceiro lugar, no tipo de substâncias psicoactivas detectadas nos condutores portugueses está a cannabis. O seu princípio activo foi identificado em 72% dos casos de consumo associado de álcool e droga e, quando tomada isoladamente, em 1,38% dos condutores. Neste campo, o das drogas ilícitas, é Espanha que ocupa o pior lugar, com uma prevalência de 8,20%. Seguem-se a Itália (3,92%), a Holanda (2,51%) e Portugal (1,80%). 

11.01.2012 - 11:41 Por Graça Barbosa Ribeiro

Pastilhas e adesivos de substituição de nicotina não funcionam a longo prazo

Deixar de fumar depende mais da vontade e do ambiente social dos fumadores do que dos produtos habitualmente usados para ajudar no processo, como pastilhas ou adesivos de nicotina, que não têm um efeito perdurável. A conclusão é de um estudo da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, que não surpreende os médicos, mas põe em causa uma indústria em crescimento.
Nos Estados Unidos, onde aqueles produtos são de venda livre desde 1997, o mercado progrediu dos 129 milhões de dólares em 1991 para os 800 milhões de dólares em 2007, segundo o The New York Times (o que equivale, ao câmbio actual, a 100,7 milhões de euros e a 624,9 milhões de euros, respectivamente).

Em 2002, as conclusões de um inquérito alargado levado a cabo pela Universidade da Califórnia, em San Diego, sugeriam que o uso de pastilhas e adesivos de nicotina era indiferente para quem tentava deixar de fumar. O que contrariava os estudos médicos em que se baseavam as recomendações para a utilização destes produtos.

A controvérsia tem sido muita, gerada a partir de resultados aparentemente divergentes. No entanto, o estudo feito em Harvard, o mais completo e rigoroso produzido até aos dias de hoje, é o primeiro a acompanhar ao longo de vários anos um mesmo grupo de fumadores que tenta deixar de fumar, se de facto conseguem fazê-lo e como.

O estudo, publicado nesta segunda-feira no Tobacco Control, arrancou em 2001 com uma amostra representativa de 1916 adultos, dos quais 787 tinham acabado de deixar de fumar. A cada dois anos, até 2006, foram questionados sobre o uso de produtos alternativos de nicotina, períodos de abstinência de tabaco e recaídas.

O que os investigadores verificaram é que cerca de um terço das pessoas que estavam a tentar deixar de fumar recaíam, sem que o recurso ou não de pastilhas ou adesivos de nicotina no processo terapêutico fizesse diferença, com ou sem acompanhamento médico. Gregory Connolly, director do Centro para o Controlo Global de Tabaco, da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, admite, no entanto, benefícios no curto prazo.

“Não estudámos se os adesivos ou as pastilhas ajudavam a parar [de fumar] no curto prazo. Há provas claras de que ajudam”, disse Gregory Connolly, citado pelo Guardian. “O que demonstrámos é que o efeito não dura no longo prazo.”

A reposição de nicotina pode ajudar a parar de fumar, mas não é suficiente para prevenir recaídas à medida que o tempo passa. Segundo os investigadores, a motivação pessoal, o apoio de família e amigos e as regras aplicadas no local de trabalho são muito importantes no processo, assim como campanhas mediáticas, aumentos de impostos sobre o tabaco e leis para a proibição de fumar em certos locais.

Medicamentos têm de ser adaptados às pessoas

Luís Rebelo, da Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, desvaloriza as conclusões da investigação e refere a existência de “muitos estudos” que avaliaram as taxas de êxito das terapias de substituição da nicotina. “Não me deixo impressionar, este estudo não põe em causa a investigação que é feita há vários anos”, afirma, destacando a “amostra pequena” utilizada.

Para que estes medicamentos sejam eficazes, declara, “têm de ser adaptados às pessoas e às suas características”. O especialista sublinha ainda a importância da monitorização para que haja resultados. Para Luís Rebelo, o facto de estes medicamentos serem de venda livre pode fazer com que as pessoas sejam “mal orientadas”, tomem doses mais baixas de nicotina do que deveriam e não obtenham os resultados esperados.

10.01.2012 - 11:22 Por Hugo Torres, Rita Araújo

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Investigadores relacionam consumo de ecstasy com alterações na visão

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra descobriu que o consumo de ecstasy pode provocar alterações na visão. Os resultados da investigação conduzida no Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem (IBILI) acabam de ser publicados na revista científica PloS One.

O coordenador da equipa, Francisco Ambrósio, citado num comunicado da Universidade, afirma que este “é um primeiro passo para se perceber que efeitos poderá ter o consumo continuado de ecstasy na fisiologia da retina”.

Apesar de se conhecer os efeitos nocivos do ecstasy no cérebro, não se sabia se afectava a visão, nomeadamente a função da retina. Os investigadores conseguiram demonstrar, através de experiências em animais, que a substância pode alterar a percepção e acuidade visual durante um período de pelo menos 24 horas.

A equipa pretende “mimetizar, também em modelo animal, o uso continuado de ecstasy segundo dois paradigmas: o consumidor jovem que vai passar uma semana de férias em grupo e toma diariamente ecstasy e o consumidor jovem de fim-de-semana”, avaliando as alterações na fisiologia da retina.